Juan estranhou quando foi chamado para a vacinação contra a Covid-19 em Biar, uma pequena vila com menos de quatro mil habitantes na Comunidade Valenciana, em Espanha. Já tinha levado as duas doses da vacina da Pfizer — mas as autoridades sanitárias convocaram-no para uma terceira dose.

Contudo, havia uma explicação. “Chamaram-me e disseram-me que se tinham equivocado e administrado doses de soro, e fizeram-nos vir para levar uma terceira”, disse ao jornal espanhol ABC o homem de 43 anos, que se tornou numa das primeiras pessoas a receber três doses da vacina da Pfizer.

Segundo explicaria depois o governo regional da Comunidade Valenciana ao mesmo jornal, na origem da confusão esteve um erro humano: de entre as 36 pessoas nascidas em 1978 que foram vacinadas no mesmo dia com a vacina da Pfizer no centro de vacinação de Biar, doze receberam por engano uma dose de soro fisiológico.

Porém, quando o erro foi detetado, as autoridades de saúde não conseguiram identificar quais tinham sido as doze pessoas que receberam o soro. Assim, a decisão foi dar uma terceira dose às 36: para algumas, seria a segunda dose real; para outras, foi uma verdadeira terceira dose.

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Os especialistas de saúde pública consideraram que era mais importante garantir a vacinação completa de todos, mesmo que isso implicasse dar uma terceira dose a algumas das pessoas. É que não há qualquer contraindicação para a administração de três doses — mas a vacinação apenas com uma dose deixaria doze pessoas desprotegidas. Entre a segunda e a terceira dose também foram assegurados os 21 dias de espera, de acordo com as indicações da fabricante da vacina.

A autarca local, Magdalena Martínez, lamentou ao ABC o sucedido e atribuiu o erro ao cansaço sentido pelos escassos profissionais de saúde que dão apoio ao centro de vacinação: “Neste centro, também servimos [as povoações de] Cañada, Campo de Mirra e Benejama. Há poucas semanas, houve um pico de casos e fizeram-se muitos testes PCR, enquanto mantínhamos um ritmo de vacinação alto. Tudo isto com um número mínimo de pessoas, muito saturadas porque não chegam reforços.”