O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, elogiou esta quinta-feira a vitória do atleta Pedro Pablo Pichardo no triplo salto e deixou duras críticas a todos aqueles que “têm na cabeça fantasmas de discriminação étnico-racial”.

Sublinhando o “orgulho nacional que é este conjunto de medalhas”, Marcelo advertiu logo à partida para a necessidade de “chamar a atenção para um facto: nós temos orgulho de Portugal, temos orgulho da nossa identidade portuguesa”.

Limpou a areia, falou com o pai, rezou e encontrou a fé para voar: o salto de recorde nacional que coroou Pichardo campeão olímpico

“É bom que pensemos que, dos quatro medalhados, três são de origem direta ou indireta africana: um afro-cubano português, uma angolana portuguesa, outro são-tomense português”, disse Marcelo, referindo-se a Pedro Pablo Pichardo, Patrícia Mamona e Jorge Fonseca. “Isto mostra que realmente Portugal é grande quando consegue a integração efetiva daqueles que de fora vêm, cá nasceram ou não nasceram cá e cá chegaram no decurso das suas vidas.”

“Quero também invocar hoje Nélson Évora. Ele próprio é um exemplo disso. Nascido na Costa de Marfim, de origem cabo-verdiana, campeoníssimo que recordamos hoje como antecessor de Pedro Pablo Pichardo. Isto é a força de Portugal. Quando de vez em quando encontramos o nosso país ainda tantos que, aberta ou veladamente, têm na cabeça fantasmas de discriminação étnico-racial, é bom que pensem que quando se orgulham com medalhas das Olimpíadas, essas medalhas são devidas a todos eles, portugueses hoje, mas de várias origens, de várias etnias”, afirmou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou a intervenção para sublinhar que também Neemias Queta, “o primeiro jogador português na NBA americana, é de origem guineense”.

“Esta é uma mensagem forte de alegria por esta delegação olímpica, mas também de orgulho português — mas de orgulho português não xenófobo, não racista, não limitativo, mas abrangente. É essa a riqueza de Portugal. Temos é de fazer avançar esta riqueza noutros domínio onde tem sido mais difícil fazer chegar ao topo aqueles que vêm de origens diversas daquelas que muitas vezes são consideradas como as únicas verdadeiramente nacionais”, asseverou Marcelo.

A vitória de Pichardo, nascido em Cuba, no triplo salto tem estado envolta em polémica devido às controvérsias em torno do seu processo de naturalização.

O desabafo de Pichardo: “Já não sou cubano, faço parte dos cinco portugueses campeões olímpicos. Só quero fazer a minha carreira em paz…”

Para Marcelo, essa é uma “discussão menor” e “uma forma de xenofobia, uma forma de racismo, uma forma de discriminação, de uma maneira ou de outra, acharmos que bons são só os brancos, são só os nacionais de origem, e não aqueles que são de outras origens, tendo nascido ou não no território nacional”.

Deve ser essa a nossa riqueza, uma sociedade aberta, inclusiva, e não propriamente intolerante, que perde muito tempo com tricas de segunda ordem”, assinalou o Presidente da República.