No dia em que se assinalam 24 anos após a morte de Diana, a princesa de Gales, uma nova versão da biografia não autorizada dos duques de Sussex chega ao mercado. A edição atualizada conta com um novo epílogo onde os autores Omid Scobie e Carolyn Durand se debruçam sobre o último ano de Harry e Meghan Markle, sobretudo após a polémica entrevista a Oprah Winfrey no passado mês de março. Entre as várias revelações que acrescentam detalhes à saga Sussex e ajudam a preencher lacunas está a ideia de que vários membros da família real britânica terão ficado “silenciosamente satisfeitos” por Meghan não estar presente no funeral do príncipe Filipe, em abril deste ano.

A cerimónia de despedida do duque de Edimburgo assinalou, aliás, o reencontro dos irmãos Harry e William que não estavam frente a frente há mais de um ano, na sequência do Megxit, e reacendeu especulação sobre uma possível reconciliação familiar. Meghan, que ficou nos EUA, foi impedida de viajar por motivos médicos por estar já numa fase avançada da segunda gravidez, muito embora tenha feito “todos os esforços” para estar presente. Agora, na nova versão de “Finding Freedom” lê-se que a ausência da duquesa terá sido vista com bons olhos, com membros da família real receosos de que a sua presença desse origem a um “circo”. Como afiançou uma fonte da realeza, citada pelo The Independent, essas mesmas pessoas não queriam que “a duquesa criasse um espetáculo”.

“Finding Freedom”, o livro que chega para quebrar (de vez) a paz entre os Sussex e a monarquia britânica

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O livro que é relançado esta terça-feira é baseado numa série de entrevistas com fontes anónimas alegadamente próximas do casal e da família real britânica. Não conta com o envolvimento dos Sussex, com a equipa legal do casal já antes a garantir que os autores não falam por eles e que Meghan e Harry não colaboraram com os autores, tampouco foram entrevistados. Ainda assim, a biografia foca-se essencialmente na perspetiva dos Sussex, com a abordagem mais amigável aos duques a não passar indiferente na imprensa internacional.

Funeral do príncipe Filipe ajudou “a quebrar o gelo”

O funeral do príncipe Filipe, que morreu aos 99 anos em abril, foi uma oportunidade para Harry e restante família, com a ocasião a permitir “quebrar o gelo” entre o príncipe e restantes membros da realeza, escrevem os autores, citando uma fonte. Enquanto outra fonte descreve o funeral como tendo sido “surreal”, uma terceira nota que, tendo em conta a relação tensa existente, “progressos” foram feitos e também “esforços de ambos os lados”.

Unidos pela perda, William e Harry terminaram a tarde à conversa. Está a reconciliação à vista?

Se a viagem de Harry ao Reino Unido foi vista com bons olhos, o que dizer quando foi descerrada a estátua em homenagem a Diana, em julho, que juntou uma vez mais os irmãos? Sobre isso, um amigo do duque de Sussex salienta que tanto Harry como William estão dedicados em dar seguimento ao legado da mãe e que nenhum ressentimento entre eles poderia “atrapalhar” essa realidade. “É uma prioridade absoluta e, mesmo no meio dessas outras coisas, eles simplesmente não iriam prosseguir um sem o outro”, diz ainda.

Palácio terá tentado debilitar Meghan antes de entrevista com Oprah

No epílogo, os autores discutem ainda a altura em que o The Times publicou um artigo no qual Meghan era acusada de bullying por um membro do palácio. De acordo com o jornal, a queixa remontava a outubro de 2018, antes do afastamento dos Sussex, e foi feita por Jason Knauf, que à época controlava a pasta da comunicação dos duques. A notícia explodiu dias antes da entrevista com Oprah Winfrey chegar ao pequeno ecrã e ser vista por milhões de pessoas em todo o mundo. “Embora a duquesa estivesse acostumada a relatos difamatórios, esta história de primeira página era mais preocupante”, lê-se no epílogo, com os autores a garantirem que as alegações deram mais confiança ao casal face à decisão de se afastarem da família real. Um amigo do casal acrescentou que “certas pessoas no palácio” pareceriam estar “a fazer o possível para minar e desacreditar” o casal com receio do que este pudesse dizer no decorrer da entrevista a Oprah.

Meghan acusada de bullying por staff do palácio. Markle rejeita “campanha de difamação calculada”

Entrevista com Oprah foi “catártica” para Meghan

A bombástica entrevista dos Sussex a Oprah terá sido “cartática” para Meghan Markle, segundo um amigo desta, com a duquesa a sentir-se “segura” em “finalmente partilhar” todas as coisas que até então tinha guardado para si e tinha “medo” de dizer enquanto membro da família real britânica, uma situação que mudou com o Megxit em marcha.

Na conversa que ainda hoje faz correr muita tinta foram feitas revelações surpreendentes, incluindo acusações racistas, com Meghan a contar que alguém da família real se questionou sobre o “quão escura” seria a pele do pequeno Archie, agora com dois anos. Dois dias após a entrevista, o Palácio de Buckingham emitiu um comunicado onde deixou claro que as acusações de racismo eram “preocupantes” e iam ser tratadas em privado.

Acusações racistas são “preocupantes” e vão ser tratadas internamente, diz Palácio de Buckingham

Foi ainda referido que algumas “recordações” do que foi dito podiam “variar”, ainda que isso não invalidasse a seriedade do assunto. De acordo com uma fonte próxima, o comunicado incomodou os Sussex e o casal não terá ficado surpreendido por a responsabilidade não ter sido assumida na íntegra. No livro fica ainda a ideia de que Harry e Meghan consideraram partilhar publicamente o nome da pessoa que fez os comentários racistas.

O segundo aniversário de casamento foi discretamente celebrado

Pelo segundo ano de casados, em maio do ano passado, Harry e Meghan optaram por uma celebração discreta devido também às restrições impostas à data na Califórnia, na sequência da pandemia de Covid-19. O casal optou por ficar no conforto da sua mansão em Montecito a recordar a boda de casamento, em 2018, com pessoas que estiveram envolvidas na cerimónia e optaram por comida mexicana em formato takeaway encomendada de um restaurante local.

No livro consta ainda que o casal fez uma hipoteca de maneira a comprar a casa de nove quartos onde atualmente vive. Aliás, a nova edição de “Finding Freedom” aborda também as dificuldades financeiras de Harry, com os autores alegadamente a afirmarem que o casal não sobreviveria numa fase pós-Megxit sem a herança de Diana, princesa de Gales. Também difícil para Harry foi o facto de não ter tido permissão para colocar uma coroa de flores em seu nome por ocasião do “Remembrance day” (também conhecido como “Dia do Armistício”), em 2020, por já não estar “na linha da frente” enquanto membro da realeza. Uma fonte próxima garante que o duque ficou “triste e desapontado com a decisão”.

Meghan Markle confessa que sofreu aborto em julho

Casal ficou “furioso” ao ser fotografado após aborto

Em julho do ano passado, o casal foi fotografado à saída de um centro de saúde em Beverly Hills — as imagens foram publicadas no Daily Mail e acompanharam uma histórica crítica sobre a decisão dos Sussex em deslocar-se num Cadillac SUV “bebedor de gasolina”, numa contradição às preocupações ambientais publicamente manifestadas pelo casal. No livro lê-se que Harry e Meghan ficaram “furiosos” quando descobriram que o fotógrafo fora avisado da presença do casal no centro médico, cuja visita aconteceu na altura em que a duquesa sofreu um aborto. “O que deveria ter sido um momento profundamente pessoal rapidamente tornou-se na principal notícia no Daily Mail Online, com uma dúzia de fotos do casal mascarado a entrar num Cadillac SUV.”