Niki Lauda e James Hunt. Ayrton Senna e Alain Prost. Nelson Piquet e Nigel Mansell. Gilles Villeneuve e Didier Pironi. A história da Fórmula 1 está recheada de grandes rivalidades que a coloriram e deixaram cheia de capítulos mais ou menos felizes e parece ter encontrado a sua dupla mais recente: Lewis Hamilton e Max Verstappen, os dois pilotos que estão a lutar pelo título mundial desta temporada, têm protagonizado os momentos mais intensos de todos os Grandes Prémios.

A última peripécia aconteceu este domingo. Depois de já se terem tocado na primeira volta, Hamilton e Verstappen ficaram ambos de fora do Grande Prémio de Monza quando o Red Bull do holandês ficou parcialmente sobreposto ao Mercedes do inglês na saída da primeira chicane. Daniel Ricciardo acabou por ganhar a corrida, carimbando um duplo pódio para a McLaren com o segundo lugar de Lando Norris, e Valtteri Bottas agarrou a terceira posição — o acidente entre Hamilton e Verstappen, porém, foi o grande destaque da prova.

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“É em dias como este que sou recordado da sorte que tenho. Demora um milésimo entre estarmos a correr e estarmos numa situação muito assustadora. Hoje, alguém tinha de estar a olhar cá para baixo, a olhar por mim! Tenho o pescoço um pouco dorido com a adrenalina a desaparecer — foi uma pancada na cabeça por isso, naturalmente, tenho uma grande dor de cabeça mas estou bem! O halo impediu o acidente de ser muito pior e estou incrivelmente grato por todo trabalho que torna os nossos carro e o desporto mais seguros (…) Vi o Max a sair e a passar por mim. Senti-me um pouco surpreendido porque, em última análise, penso que, quando temos incidentes, a primeira coisa de que queremos ter a certeza é de que o tipo com quem colidimos está bem. Mas a parte boa é que consegui sair e foi uma longa caminhada de regresso. Mas vivemos para lutar mais um dia”, escreveu o piloto inglês nas redes sociais, atirando mais uma farpa ao holandês da Red Bull.

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Ora, Max Verstappen, por seu lado, acredita que a culpa do incidente foi do campeão do mundo. “O que se passou hoje foi um infortúnio. O acidente poderia ter sido evitado se eu tivesse tido espaço suficiente para fazer a curva. São precisas duas pessoas para que isso corra bem e eu sinto que fui empurrado para fora. Quando estamos a correr contra alguém, estas coisas podem acontecer, infelizmente”, atirou, de forma sucinta, o piloto de 23 anos.

Certo é que, opiniões à parte, os comissários da corrida deram razão a Lewis Hamilton. Depois de ouvidos os dois pilotos e os representantes da Red Bull e da Mercedes e revistas as imagens do acidente, Verstappen foi considerado “o principal responsável” pelo que se passou e foi castigado com uma penalização de três lugares na grelha de partida do próximo Grande Prémio, em Sochi, na Rússia. A equipa do holandês mostrou-se “desapontada” com a penalização, defendendo que tudo não passou de um “incidente de corrida”, enquanto que o diretor da Mercedes considerou que Verstappen fez uma “falta tática”.

“O halo salvou a vida do Lewis.. Teria sido um acidente horrível, em que nem quero pensar, se não tivéssemos o halo. Ambos têm de dar espaço um ao outro, correr de forma intensa, mas evitando acidentes. Tem sido divertido até agora. Não queremos chegar a um ponto em que teremos de intervir quando alguém se magoar a sério. Ou deixam espaço ou haverá mais acidentes. Mas eles sabem no carro o que estão a fazer e como estão a correr uns com os outros. Devemos estar atentos e esperamos não ter oito acidentes nas oito corridas restantes. No futebol, eles chamam-lhe falta tática. Provavelmente, ele sabia que se o Lewis se mantivesse à frente, possivelmente teria a vitória na corrida”, explicou Toto Wolff.

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Ora, para além de voltar a referir a importância de um halo que não foi consensual quando foi introduzido em 2018 — a Mercedes chegou a apresentar um projeto alternativo em que a auréola era removível — mas que entretanto já salvou as vidas de Leclerc, Grosjean ou Hamilton, Toto Wolff foi o primeiro a colocar em palavras aquilo que está a tornar-se evidente para quase todos. A rivalidade entre Hamilton e Verstappen não está a ser saudável, não está a fazer com que os dois pilotos se superem e não está a apimentar o Campeonato do Mundo. Ao invés de tudo isso, a rivalidade entre Hamilton e Verstappen está a ser perigosa, irresponsável e problemática. E o melhor, para ambos e para a Fórmula 1, é que o acidente de Monza e o que poderia ali ter acontecido tenha sido a derradeira chamada de atenção.