Por considerarem que os partidos políticos na Alemanha não estão a lidar adequadamente com a situação climática, a duas semanas das eleições que vão escolher o sucessor de Angela Merkel, um grupo de jovens entrou em greve de fome há três semanas.

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Os manifestantes são seis jovens entre os 18 e 27 anos que ameaçam continuar a greve de fome até terem o seu objetivo cumprido – ter uma conversa “honesta” com os candidatos.

Jacob Heinze, o elemento mais velho do grupo, explicou à BBC — já com algumas dificuldades de expressão, por causa da privação de comida — que embora tenha “medo das consequências que a greve pode ter” é mais importante “despertar as pessoas” para o perigo das alterações climáticas.

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Já avisei os meus pais e amigos de que há a possibilidade de não os voltar a ver”, disse, explicando que está no protesto porque os governos “estão a falhar em salvar a geração jovem de um futuro imaginável”. “Nós iremos enfrentar uma guerra relativamente aos recursos como água, comida e terra. O que já é uma realidade para muitas pessoas no mundo.”

As alterações climáticas são um dos temas fortes das eleições na Alemanha, muito por causa das inundações devastadoras na Europa, este verão, e pelo impacto trágico no país — mais de 165 pessoas morreram nos desabamentos de terras que provocaram também milhares de milhões de euros de prejuízos. No entanto, os jovens afirmam que nenhum partido tem proposto medidas adequadas para resolver este problema.

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A porta-voz do protesto, Hannah Luebbert, diz que “nenhum dos programas eleitorais leva em conta os factos científicos, especialmente após o perigo de danos irreversíveis no clima que estamos estão perto de alcançar”.

Até agora, os jovens já foram contactados por Annalena Baerbock, a candidata do partido Os Verdes, que, pelo telefone, lhes pediu para porem um ponto final na greve de fome.