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O presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi obrigado a jantar no meio da rua em Nova Iorque, onde está para participar na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), por não ter sido vacinado contra a Covid-19. Uma fotografia publicada por Luiz Ramos, ministro de Estado e chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, mostra a comitiva brasileira a comer fatias de pizza no meio da rua.

Luiz Ramos apelidou a refeição, a primeira em solo americano, de “jantar de luxo em New York City” e Gilson Machado, ministro do Turismo do Brasil, acrescentava que se tratava de “pizza-coca”. Além dos dois membros do Executivo, aparecem também na fotografia o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres; e o presidente da Caixa Económica Federal, Pedro Guimarães.

Em Nova Iorque só é permitida a entrada em restaurantes (assim como noutros estabelecimentos) de pessoas que tenham sido vacinadas contra a Covid-19. As regras nova-iorquinas chegaram a levantar dúvidas sobre se Bolsonaro poderia participar na assembleia, mas as Nações Unidas fizeram saber que não exigiriam qualquer prova de vacinação aos chefes de Estado que estivessem na cidade para participar no evento. Não se sabe, no entanto, qual é o estado de vacinação do presidente brasileiro: o Planalto impôs um sigilo de 100 anos sobre os documentos de identificação de Bolsonaro.

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Mas Boris Johnson, o primeiro-ministro britânico, afirmou junto ao líder brasileiro a inoculação contra a Covid-19. Bolsonaro afirmou que seria “o último brasileiro” a fazê-lo e é o único participante da Assembleia Geral da ONU que afirma não ter sido inoculado contra a Covid-19. O primeiro-ministro disse: “É uma ótima vacina. Obrigado, pessoal. Tomem vacinas da AstraZeneca”.

Depois de ter elogiado a vacina da AstraZeneca/Universidade de Oxford (que também é produzida no Brasil), Boris Johnson disse que já tomou as duas doses do fármaco. Depois apontou para o presidente brasileiro, questionando-lhe assim se ele também já foi inoculado. Bolsonaro respondeu que “ainda não”.

À chegada a Nova Iorque, Jair Bolsonaro deslocou-se sem máscara até à porta do hotel onde ficará hospedado, mas teve de entrar pelas traseiras por causa da manifestação instalada junto à entrada principal. Os manifestantes gritavam: “Fora Bolsonaro!” Foi nessa altura que, ironicamente, afirmou que o discurso preparado para a sua intervenção será “em braille” — que é, na realidade, um sistema de escrita que se lê pelo relevo dos pontos, muito utilizado por pessoas cegas.

Numa transmissão efetuada na quinta-feira passada no Facebook, Jair Bolsonaro prometeu “um discurso tranquilo, bastante objetivo, focado nos pontos” que interessam ao país, incluindo o marco temporal sobre terras indígenas, que determinaria que os indígenas só podem reivindicar a demarcação de terras que já eram ocupadas por eles antes da promulgação da Constituição de 1988. Segundo a Folha de São Paulo, a ala moderada do Governo preferia debater os problemas ambientais no Brasil e os direitos humanos.