Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

O Observador venceu o prémio de melhor reportagem multimédia, atribuído na 20.ª edição dos Prémios Sapo, com o trabalho “85 horas no Santa Maria: os dilemas da luta entre a vida e a morte no pico da pandemia”, um texto de Pedro Jorge Castro, com fotografia de João Porfírio, vídeo de Catarina Santos, web design e desenvolvimento de Alex Santos.

Os jornalistas passaram 85 horas no maior hospital do país no pico da pandemia para uma reportagem especial multimédia em cinco partes que foi publicada em janeiro deste ano.

A primeira, sobre os dilemas da luta contra a Covid no limite, mostra as decisões difíceis que os médicos tiveram de ir tomando nos dias com mais infetados e internados nos Cuidados Intensivos, em Novembro e Dezembro. O Covidário. O peso em cima dos internos (médicos em formação que ainda não acabaram a especialidade). O “setor dos instáveis”. O milagre da multiplicação dos profissionais de saúde (e os riscos, problemas e custos que coloca). As dúvidas que o presidente do hospital foi tendo. E o dia mais longo da coordenadora da unidade para doentes Covid, em que tinha apenas uma vaga livre nos Cuidados Intensivos para seis doentes críticos.

85 horas no Santa Maria: os dilemas da luta entre a vida e a morte

A segunda parte focou-se nos profissionais de saúde infetados: ho O caso mais grave foi o de Jacques dos Santos, chefe das Urgências, que esteve em coma nos Cuidados Intensivos, e dá pela primeira vez o seu testemunho. O momento em que o pneumologista António Diniz atingiu o limite de mínimo de oxigénio no sangue e pensou que tinha de ser internado. O presidente a mostrar o relatório com os alertas amarelos e vermelhos que recebe no computador. E ainda a história do casal de médicos que coordena unidades para doentes Covid ao lado uma da outra — e que ambos ficaram infetados pelo primeiro doente a morrer em Portugal.

“Tive de reaprender a andar. Era um peso morto, não conseguia virar-me na cama”

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A parte III desta reportagem abordou os telefonemas dos doentes infetados antes de serem ligados a um ventilador, sem saberem se é um até já ou uma despedida. O doente que percebeu que ia morrer quando recebeu a visita da mulher. Internados nos Cuidados Intensivos que despertam e ficam agitados quando veem toda a gente equipada como se fossem astronautas. Os custos de uma vaga nos Cuidados Intensivos, onde uma cama é ainda mais cara que um ventilador. E o fadista que perdeu 18 kg no internamento e voltou ao hospital um mês depois — para agradecer.

A última chamada dos doentes infetados que não sabem se vão sobreviver

A penúltima parte desta reportagem foi, como não poderia deixar de ser, sobre como é viver com a morte. Morrer sem uma despedida. Ver morrer os doentes do lado. A angústia do capelão. E o corredor da morgue.

Viver com a morte: “Eu não aguento estar aqui”. 85 horas no Santa Maria, parte IV

Mas a reportagem não terminou aqui. A história da bebé Neves é o relato incrível de como uma criança nasceu de uma mãe infetada, em coma, ligada a um ventilador e a uma pulmão artificial.

Olá, chamam-me bebé Neves e esta é a história incrível de como nasci

Esta grande reportagem teve vários vídeos publicados autonomamente no Facebook e no Youtube, como esta, por exemplo:

Os Prémios Sapo, cujo vencedores da vigésima edição foram anunciados esta sexta-feira, pretendem distinguir as melhores campanhas, agências criativas e de meios, anunciantes e media digitais. A edição deste ano contou também com a atribuição de dois prémios especiais, um deles, o Prémio Carreira, “que pretende reconhecer uma figura nacional que se destaca pelo esforço, resiliência e excelência na sua área de atuação”, para o músico Tim, dos Xutos e Pontapése.

O outro prémio especial, o Prémio Parceiro Sapo Voz, “pretende enaltecer um dos mais de 50 parceiros do projeto Sapo Voz, uma iniciativa criada no ano passado, com objetivo de apoiar os mais de 750 órgãos de comunicação social local e regional existentes em Portugal”, e foi atribuído ao Diário do Minho.

O valor angariado com as inscrições, que este ano ascendeu aos 6.950 euros, será doado à instituição escolhida pela Fundação Altive, a associação Salvador.

Entre os vencedores dos Prémios de Media Digital, no qual se inclui a distinção do Observador, estão também:

Dos 131 trabalhos inscritos, 29 mereceram ser distinguidos pelos prémios promovidos pela Sapo e Altice Portugal (detentora da marca Sapo). Houve sete prémios atribuídos a campanhas que tinham a Altice Portugal como anunciante — incluindo os prémios “Anunciante do Ano” e “Campanha do Ano” — e dos oito prémios para os órgãos de comunicação social, dois foram para a Sapo e outro para um parceiro.

A agência Wavemaker foi considerada a “Agência de Meios do Ano” e venceu também o prémio da melhor estratégia criativa para o digital, o prémio setorial de “Saúde, Higiene e Beleza”, o prémio setorial “Tecnologia” e o prémio melhor campanha Teads Studio.

Já a agência SamyRoad Portugal foi distinguida como a “Agência Criativa do Ano” e venceu três categorias com a campanha “Ritmo Sustentável”, para o Ikea Portugal — “Retalho Tradicional e Produtos de Grande Consumo”, melhor estratégia de social media e melhor projeto de branded content.