Os representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) em África manifestaram-se esta quinta-feira otimistas que a primeira vacina contra a malária ajude a melhorar o combate no continente contra a doença.

A OMS recomendou na quarta-feira a extensão da utilização de uma vacina contra a malária utilizada no Gana, Maláui e Quénia, desde 2019, tendo sido administradas 2,3 milhões de vacinas e 800 mil crianças recebido pelo menos uma dose.

OMS recomenda vacina contra a malária nas crianças de todas as regiões africanas de risco alto e moderado

Os representantes da OMS em África estão otimistas que a vacina que “irá mudar dramaticamente a forma como o continente de 1,3 mil milhões de pessoas luta contra a doença“.

A malária é responsável por centenas de milhares de mortes anuais em África, disse o diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), John Nkengasong, numa conferência de imprensa online semanal. África representou 94% dos casos mundiais de malária em 2019, com uma estimativa de 215 milhões de casos, de acordo com o relatório de 2020 da OMS sobre a doença.

A vacina Mosquirix contra a malária, na qual a companhia farmacêutica britânica GlaxoSmithKline tem vindo a trabalhar desde 1987, tem uma eficácia limitada de cerca de 30% na prevenção da malária grave. A vacina surge após décadas de investigação.

John Nkengasong agradeceu aos três países que participaram no ensaio clínico.

O Instituto de Investigação Médica do Quénia (Kemri, na sigla em inglês), que ajudou no processo de validação da vacina, declarou estar “encantado” com a avaliação da OMS. O chefe de investigação do instituto, Bernhards Ogutu, disse que a vacina provou ser eficaz em crianças entre os 6 meses e os 2 anos.

A Nigéria, o país mais afetado do mundo, com 27% dos casos da doença, pede prioridade na distribuição de vacinas.

“O Governo e os parceiros da Nigéria têm de ser proativos no fornecimento das orientações, infraestruturas e logística necessárias, de modo a que, quando a vacina estiver disponível, estejamos prontos para a implementação total”, comunicou a coordenadora nacional do Programa Nacional de Controle da Malária, Perpetua Uhomoibhi, citada pela agência de notícias Associated Press.

A vacina por si só não será suficiente no combate à doença, uma vez que terá de haver um acompanhamento de outras medidas sanitárias, tais como prevenção química sazonal da malária e o uso de redes mosquiteiras de longa duração com inseticidas.

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