O secretário-geral da Federação Sindical da Administração Pública (FESAP), José Abraão, considerou esta terça-feira que a proposta do Governo para o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) é insuficiente e defendeu a necessidade de ser melhorada na discussão parlamentar.

“A proposta do Governo fica aquém das expetativas, sabe a pouco, pois ainda não prevê o aumento generalizado das pensões, nem sequer do subsídio de refeição que continua nos 4,77 euros”, disse à agência Lusa José Abraão.

O sindicalista valorizou o facto de o Governo ter colocado no OE2022 os aumentos salariais de 0,9% para a função pública, esperando que isso seja “o retomar do princípio da revisão anual dos salários” do setor, e valorizou igualmente o aumento do salário base dos técnicos superiores da administração pública em 50 euros até 2023.

O relatório que acompanha a proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) entregue na segunda-feira pelo Governo no parlamento confirma os aumentos salariais de 0,9% para a generalidade dos funcionários públicos no próximo ano, o que, segundo o Governo, representa um esforço orçamental anual permanente de cerca de 225 milhões de euros.

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Segundo um documento com as prioridades da proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) entregue no parlamento na segunda-feira, o salário base dos técnicos superiores da administração pública vai aumentar em 50 euros até 2023.

O salário de entrada dos técnicos superiores na administração pública é atualmente de 1.205 euros e nas negociações com os sindicatos na semana passada, o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública já tinha indicado que este valor iria subir, mas remeteu a negociação sobre a matéria para o início do próximo ano.

Na quinta-feira, o Governo tinha apresentado aos sindicatos da função pública uma proposta de aumentos salariais de 0,9%, em linha com a inflação esperada para este ano.

Valorizamos isto mas esperamos que o OE melhore durante a sua discussão parlamentar, porque há muitos trabalhadores que não são beneficiados e há muitas carreiras que precisam de ser revistas, para não serem absorvidas pelos aumentos anuais do salário mínimo”, disse José Abraão.

A Fesap considera que muitas das suas reivindicações não obtêm resposta na proposta de OE2022 e por isso vai pressionar os grupos parlamentares para que tentem melhorar a proposta do Governo.

O Governo entregou na segunda-feira à noite, na Assembleia da República, a proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE22), que prevê que a economia portuguesa cresça 4,8% em 2021 e 5,5% em 2022.

No documento, o executivo estima que o défice das contas públicas nacionais deverá ficar nos 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 e descer para os 3,2% em 2022, prevendo também que a taxa de desemprego portuguesa descerá para os 6,5% no próximo ano, “atingindo o valor mais baixo desde 2003”.

A dívida pública deverá atingir os 122,8% do PIB em 2022, face à estimativa de 126,9% para este ano.

O primeiro processo de debate parlamentar do OE2022 decorre entre 22 e 27 de outubro, dia em que será feita a votação, na generalidade. A votação final global está agendada para 25 de novembro, na Assembleia da República, em Lisboa.