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O primeiro ministro espanhol Pedro Sánchez garantiu esta quarta-feira, num debate parlamentar, que não vai libertar presos da ETA em troca de votos favoráveis para aprovação do orçamento. A garantia — “um rotundo não”— veio em resposta ao líder da oposição Pablo Casado, do PP, que questionou Sánchez se iria retirar “200 terroristas da prisão” para que o partido EH Bildu apoiasse o orçamento como os nacionalistas tinham apregoado esta semana.

“Não vamos chegar a um acordo com Bildu. Nada pode ser acordado com Bildu. Disse isto na campanha, Sr. Sánchez, porque é que nos enganou? Deixou para trás as vítimas do terrorismo ao trazer uma centena de membros da ETA com crimes de sangue”, acusou Casado, citado pelo El País. “Não se pode fazer um pacto ou branquear para permanecer no poder aqueles que justificam o assassinato de 850 pessoas inocentes. Otegi não é um homem de paz, é um terrorista que tentou assassinar o nosso camarada Gabriel Cisneros. Vai tirar 200 terroristas da prisão para que eles apoiem o seu orçamento?”, atirou o líder da oposição fazendo eco das palavras de Arnaldo Otegi.

Sánchez ripostou logo de seguida com “um rotundo não”.  “Nunca usámos o terrorismo quando a ETA existiu, e nunca o usaremos agora que ele não existe, 10 anos mais tarde. A ala direita transmite sempre uma visão amarga desta conquista da democracia”, respondeu o primeiro ministro espanhol, no dia em se assinala uma década desde que a ETA anunciou o fim da luta armada, que ao longo dos seus mais de cinquenta anos de história assassinou mais de 800 pessoas.

A troca de palavras no parlamento esta quarta-feira surge depois de Arnaldo Otegi, líder do partido independentista basco EH Bildu considerado durante anos o braço político da ETA, ter dito que apoiava o orçamento espanhol para que os 200 prisioneiros da ETA fossem libertados. “Temos 200 no interior. E esses 200 têm de sair da prisão. Se isso significa votar a favor do orçamento, então votaremos a favor do mesmo. Dizemo-lo alto e bom som”, disse Otegi na segunda-feira diante de um grupo de ativistas.

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Estas declarações também surgiram apenas horas depois de o líder do EH Bildu ter expressado pesar pelas vítimas da ETA, onde disse que “infelizmente, o passado não tem remédio”, pelo que nada do que digam “pode desfazer o dano causado”, citado aqui pela EFE.

“Mas estamos convencidos de que é pelo menos possível aliviá-lo através do respeito, consideração e memória. Queremos dizer-lhes do fundo do coração que lamentamos enormemente o seu sofrimento e nos comprometemos a tentar mitigá-lo na medida das nossas possibilidades. Vão-nos encontrar sempre dispostos a isso”, acrescentou o líder independentista basco.