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O Serviço Nacional de Informação (NIS) da Coreia do Sul disse numa comissão parlamentar que o líder norte-coreano parece não ter problemas de saúde, ao contrário do que alguns rumores sugeriam, quando Kim Jong-un apareceu em público mais magro, depois de ter estado ausente da vida pública em grande parte do ano passado. E negou qualquer fundamento a notícias publicadas nos Estados Unidos sobre a existência de um duplo em aparições públicas depois de um eventual golpe de Estado.

Através da análise de vários vídeos e fotografias do chefe de Estado da Coreia do Sul, usando técnicas de inteligência artificial, o NIS concluiu que a aparente perda de peso se deve a “um esforço para melhorar o seu corpo”, noticia a Associated Press. Estima que Kim Jong-un, que mede cerca de 1,70 metros, terá perdido 20 quilos: pesa agora 120kg em vez de 140.

A presença do ditador em vários eventos este ano — foi visto em público em 70 dias, o que representa um aumento de 45% em relação a 2020 — reforça a informação de que os problemas de saúde serão apenas um rumor já que, segundo os serviços secretos, a ideia de um duplo de Kim Jong-un não é credível.

Problemas de saúde ou propaganda? Perda de peso de Kim Jong-un gera preocupação na Coreia do Norte

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Esta renovada participação do líder do Partido dos Trabalhadores pode dever-se também ao grave período de crise que o país enfrenta, que pode fragilizar a sua posição no cargo– a falta de bens essenciais e medicamentos tem agravado a crise de febre tifoide que afeta uma parte da população, e as trocas comerciais com a China, a principal fonte de rendimento do país, desceram para um terço do habitual.

Segundo adiantou Kim Byung-kee, deputado norte-coreano, à agência de notícias, os serviços secretos referiram também que foram retirados os retratos oficiais do pai do líder coreano, Kim Jong-il e do avô, Kim Il-sung, da sala oficial de reuniões do partido.

As fotografias não aparecem nas mais recentes imagens divulgadas pela propaganda oficial da Coreia do Norte. Isto poderá indicar, nas palavras do NSI reportadas por um outro deputado, Ha Tae-keung,  uma “vontade” de afastar Kim Jong-un dos legados dos antecessores. Falar-se-à mesmo em “Kimjongunismo” para referir o regime do atual líder para o distinguir dos “Kimjongilism” e “Kimilsungism” do pai e avô, respetivamente.