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O mundo futebolístico de Jorge Jesus tem vivido nas últimas semanas numa espécie de realidade paralela, com os elogios a virem de onde não está e as críticas a surgirem onde anda. E foi isso que voltou mais uma vez a acontecer esta semana, com os adeptos do Flamengo a chamarem pelo seu “mister” antes de durante a final da Taça dos Libertadores (perdida frente ao Palmeiras de Abel) e os adeptos do Benfica a terem uma reação forte após a derrota com o Sporting na Luz, mostrando lenços e máscaras brancas entre muitos assobios após o terceiro golo e uma vaia monumental no final da partida que acabou em 3-1.

Manuel pegou na tela em branco e desenhou uma obra de (Ug)arte (a crónica do Benfica-Sporting)

Ainda assim, e para já, não existe qualquer possibilidade de mudança no atual estado do técnico dos encarnados, seja pela hipótese de saída antecipada da Luz, seja pelo cenário de um regresso ao Brasil.

Olhando para o que se passa no Benfica, o resultado do dérbi (e a forma como decorreram os 90 minutos) teve impacto na estrutura do clube da Luz mas o cenário de troca de treinador não foi em nenhuma fase colocado. Os jornais desportivos falam numa maior pressão, o Record avança mesmo que uma parte da Direção gostaria que existisse já uma troca técnica – não só pelos resultados da presente temporada mas também depois de tudo o que aconteceu na última época – mas Rui Costa mantém a confiança em Jorge Jesus para 2021/22, mesmo que a questão da renovação de contrato continue a ser um tabu.

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Assobios, lenços (e máscaras) brancos e uma monumental vaia na despedida: Jorge Jesus contestado na Luz

Apesar dessa posição, os próximos seis encontros do Benfica até ao final do ano civil serão determinantes para o futuro do treinador na Luz, até por tudo aquilo que envolvem a nível de decisões. Já na próxima quarta-feira, os encarnados recebem o Dínamo Kiev na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões e terão de vencer e esperar que o Barcelona não ganhe em Munique ao Bayern para seguirem para os oitavos. A seguir, as águias jogam em Famalicão para o Campeonato (dia 12), recebem o Sp. Covilhã numa partida em que terão de ganhar por mais de dois golos para passarem à Final Four da Taça da Liga (dia 15), recebem o Marítimo para o Campeonato (dia 19) e têm dois jogos consecutivos no Dragão frente ao FC Porto para a Taça de Portugal (dia 23) e para o Campeonato (dia 30). Só nessa altura será feita uma análise do ponto de situação da equipa a nível de objetivos para a presente temporada.

Se em Portugal a corda de Jesus parece ter esticado, do Brasil chega de novo a corda que nunca deixou de existir mesmo depois da forma como o treinador voltou ao Benfica. E são os próprios responsáveis do Flamengo que assumem essa possibilidade de regresso do “mister”, depois das opções falhadas no espanhol Doménec Torrent e nos brasileiros Rogério Ceni e Renato Gaúcho – apesar de terem ainda conseguido mais um Campeonato, uma Supertaça e uma Carioca, a equipa não mais voltou a ser a mesma (ou a jogar o mesmo) desde a troca de treinador após uma época em que ganhou tudo menos o Mundial de Clubes.

“Jorge Jesus tem um contrato em vigor, tem dois compromissos importantíssimos nos próximos 20 dias. É uma temeridade eu chegar e falar de Jorge Jesus até pela situação dele no Benfica neste momento. É um treinador que deu certo no Flamengo, é um técnico que tem bastante conexão com os adeptos, até porque ganhou muito aqui. Vamos dar tempo ao tempo. Sem estar na inércia, mas com calma. Vamos ter um treinador com uma comissão técnica para, em 2022, podermos voltar aos títulos”, explicou Marco Braz, vice para o futebol do Flamengo, em declarações citadas pelo Globoesporte onde também fez questão de assumir que contactou o técnico Carlos Carvalhal há um ano mas não neste momento.

“Jorge Jesus não é um plano, é uma opção. O que estou a dizer é que não vamos mexer antes de acabar o Campeonato Brasileiro. Temos dois jogos, contra Santos e Atlético Goianiense. Vou lá estar, como em todos os jogos. Depois iremos olhar para o mercado. Mas não há nenhum agente a mapear o mercado. Quem está a ver e analisar quem pode de facto treinar o Flamengo é o departamento de futebol do Flamengo”, acrescentou ainda um dos principais responsáveis pela chegada de Jesus ao Brasil.