A Alta-Comissária da ONU para os Direitos Humanos disse esta terça-feira que o mais recente motim em prisões do Equador demonstra a urgência da reforma do sistema de justiça penal e prisional para resolver a prolongada crise nas prisões.

Pelo menos 44 presos foram assassinados na prisão equatoriana de Santo Domingo de los Tsáchilas, fazendo elevar para mais de 400 o número de reclusos mortos em confrontos entre bandos rivais nos últimos dois anos neste país da América do Sul.

Pelo menos 44 mortos em confronto em prisão no Equador

Em 2020 foram registadas 46 mortes violentas nas prisões equatorianas, mas a violência dos estabelecimentos prisionais registou um súbito agravamento em 2021, com o registo de 316 presos mortos em diversos incidentes, e com 2022 a já contabilizar 64 mortes.

Michelle Bachelet admitiu que o Estado poderá ser responsável por estas mortes, que devem ser investigadas de forma transparente.

“Devo sublinhar que a responsabilidade do Estado na segurança de todas as pessoas que estão sob a sua custódia implica uma presunção de responsabilidade estatal por estas mortes”, afirmou a Alta-Comissária, num comunicado divulgado pela sua porta-voz durante uma conferência de imprensa em Genebra.

O Governo equatoriano anunciou em fevereiro passado uma política pública para a reabilitação social dos prisioneiros, desenvolvida com o apoio técnico do Gabinete de Direitos Humanos da ONU, o organismo liderado por Bachelet.

A iniciativa registou uma considerável participação da sociedade civil, incluindo de familiares de presos, com a Alta-Comissária a solicitar agora às autoridades que disponibilizem os recursos necessários para aplicar esta política e que seja considerada a redução do “uso excessivo do encarceramento”.

“O Governo também deve considerar um roteiro que propusemos para garantir a segurança nas prisões, melhorar as condições dos reclusos e garantir uma melhor gestão prisional, que inclui o combate à corrupção”, precisou.