A Alpine lançará o sucessor do A110 em 2026, sendo que o futuro modelo se vai diferenciar do actual por se tratar de um desportivo 100% eléctrico alimentado por baterias. Daí a curiosidade em torno do Alpine A110 E-Ternité, um protótipo que prepara o terreno para essa nova geração eléctrica que chegará dentro de quatro anos.
O E-Ternité é apenas um protótipo e nunca passará à produção em série, mas servirá ao construtor para desenvolver um desportivo com bateria, sendo este um dos três modelos eléctricos que a marca do Grupo Renault colocará no mercado até 2026, com este trio de ataque a ser completado por uma berlina compacta e um SUV desportivo. Mas se o E-Ternité não está destinado a ver a luz do dia, dará origem a uma boa base de trabalho para desenvolver o sucessor do actual A110, que usa exclusivamente um motor a gasolina com duas versões (252 cv e 300 cv).
Revelado durante o Grande Prémio de França, disputado no circuito de Paul Ricard no final de Julho, o E-Ternité representa, nas palavras do CEO do Grupo Renault, Luca de Meo, o fim do ciclo do A110 a combustão e o início do seu sucessor eléctrico, de forma a “preservar o nome da marca para a eternidade”. O chassi do E-Ternité ainda é o da unidade a combustão, devidamente adaptado, tal como acontece com a carroçaria, excepção feita para o tejadilho de abrir que é removível, opção ainda não disponibilizada na versão a combustão.
O pack de baterias com 60 kWh de capacidade foi dividido entre a frente e a traseira
A diferença entre o A110 com o 1.8 de quatro cilindros e esta versão eléctrica está na mecânica e respectiva arrumação no pequeno desportivo. Os 12 módulos do pack de baterias com 60 kWh de capacidade – o mesmo utilizado pelo novo Renault Mégane E-Tech – foram divididos em duas partes, em que quatro estão localizados à frente e os restantes oito lá atrás. Não é a distribuição ideal para o acumulador, mas num protótipo pouco importa, sendo ainda necessária para garantir que 58% do peso total do desportivo incide sobre o eixo posterior e 42% sobre o da frente.
Outra característica interessante, que prova que a Alpine continua focada no baixo peso para garantir agilidade e rapidez, sem contudo exacerbar a potência, é o facto da bateria ter apenas 258 kg, o que permite um peso total de 1378 kg, somente cerca de 200 kg acima do valor associado a um A110 a combustão. Curiosamente, este protótipo da Alpine monta um único motor eléctrico atrás, alegadamente idêntico ao do Mégane E-Tech, com 242 cv e 300 Nm, estando acoplado a uma caixa de duas velocidades fornecida pela Getrag. Isto é um luxo para modelos que anunciam uma velocidade máxima de 250 km/h, visando sobretudo uma maior rapidez no arranque, um pouco à semelhança do que acontece com o Porsche Taycan.
Com as baterias colocadas muito em cima, tanto à frente como atrás, o que penaliza o centro de gravidade e, por tabela, o comportamento, estamos claramente perante um protótipo destinado a testar soluções tecnológicas relacionadas com a parte eléctrica e não necessariamente com o desempenho do chassi em matéria de comportamento. Ainda assim, o A110 E-Ternité, com mais 200 kg e menos 10 cv do que a versão mais acessível do A110 a gasolina (252 cv e 320 Nm), anuncia a mesma capacidade de ir de 0-100 km/h em somente 4,5 segundos, estando depois igualmente limitado a 250 km/h.
De acordo com a Alpine, a bateria de 60 kWh é capaz de assegurar uma autonomia de 420 km, não muito longe dos valores reivindicados pelo novo Mégane E-Tech.
Resta agora aguardar pelo modelo de série que, tal como os restantes eléctricos da Alpine, será produzido em França, na fábrica de Dieppe, a partir do final de 2025.