O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, declamou um poema do escritor Alexander Pushkin na televisão estatal russa. Num vídeo acompanhado por fotografias de Joe Biden e dos líderes do G7, o chefe da diplomacia de Moscovo critica a resposta do Ocidente à guerra da Ucrânia e aconselha a que fique fora do conflito. “Esta rixa familiar é-vos alheia e obscura.”
No vídeo, partilhado pela agência de notícias russa TASS, o ministro lê um excerto da obra “Aos Caluniadores da Rússia”, escrito em 1831 na sequência da Insurreição de Novembro, em que a Polónia se tentava ver livre da influência russa. Alguns dirigentes franceses da altura ponderaram enviar tropas para combater ao lado da Polónia, o que não acabou por acontecer, mas que acabou por estar na origem do poema de Alexander Pushkin.
“Porque é que estão a fazer barulho, caluniadores? Porque é que nos estão a ameaçar com um anátema?”, começa por questionar Sergei Lavrov. “O quê é que vos enfureceu? A inquietação lituana?”, continua, trançando um paralelismo com a resposta do Ocidente à invasão da Ucrânia, que levou à condenação da Rússia pela maioria da comunidade internacional e à aplicação de sanções.
Lavrov reads Pushkin's poems, addressing them to Biden and EU leaders.
"Why do you threaten Russia with anathema?"
New tricks of Russian diplomacy? pic.twitter.com/O5Kme5OOga
— Anton Gerashchenko (@Gerashchenko_en) November 2, 2022
“Esqueçam. Isto é uma rixa eslava, entre os seus semelhantes. Antigas disputas domésticas, que o destino há muito predestinou”, proclamou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, acrescentando que é um “puzzle” que o Ocidente “não tem qualquer chance de ler”. “Estas são tribos contíguas que têm lutado há muito tempo.”
As duas partes em confronto, que no poema original eram a Polónia contra a Rússia, estavam sob “nuvens de tempestade”. “Quem vai ficar no chão? O altivo Lech [uma referência aquele que se acredita ser o fundador da Polónia]? O fiel russo?”, questionou.
“Deixem-nos sozinhos”, disse Sergei Lavrov naquilo que constitui uma farpa à resposta do Ocidente. “Vocês não estão a par. Esta rixa doméstica e familiar é-vos alheia e obscura”, concluiu o ministro, terminando de ler o poema de Alexander Pushkin, um dos principais defensores do pan-eslavismo.