O valor total que os portugueses pagam em prestações de crédito à habitação deverá subir de 390 milhões de euros em junho de 2022 para 520 milhões no final de 2023 – é um aumento de 130 milhões de euros, ou 33%. Este é o cálculo feito pelo Banco de Portugal no Relatório de Estabilidade Financeira que divulgou esta quarta-feira. Porém, a julgar pelas atuais taxas de mercado, em 41% dos contratos de empréstimos à habitação espera-se que o aumento da prestação entre junho de 2022 e dezembro de 2023 seja inferior a 50 euros e só em 18% dos contratos se antecipam aumentos superiores a 150 euros na prestação mensal.

Com base num ponto de partida que é o mês de junho de 2022, altura em que se tornaram mais expressivas as subidas das taxas de juro, o Banco de Portugal explica que este exercício permite quantificar o impacto da subida das taxas Euribor no serviço da dívida dos empréstimos à habitação e, para isso, considera-se a evolução esperada para as taxas Euribor a 3, 6 e 12 meses até dezembro de 2023. Na prática, com base nas atuais expectativas de mercado (futuros da Euribor a 3 meses), o Banco de Portugal está a antecipar que iremos ter taxas Euribor na região dos 3% em dezembro de 2023.

Pese embora a maior resiliência a choques adversos, a capacidade de poupança das famílias é heterogénea, o que poderá dificultar a acomodação de maiores encargos com o serviço de dívida para as famílias com menor liquidez, em especial se o período de elevada inflação se prolongar”, afirma o Banco de Portugal no Relatório de Estabilidade Financeira de novembro.

O relatório é apresentado esta quarta-feira em conferência de imprensa na sede do Banco de Portugal, em Lisboa, com o governador Mário Centeno e o administrador Luís Laginha de Sousa, que tem o pelouro da estabilidade financeira mas está de saída do supervisor – a caminho da presidência da CMVM. Numa curta declaração, Centeno pediu um esforço “coletivo” para o controlo da inflação.

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