O antigo Presidente norte-americano Donald Trump esperava ter galvanizado o apoio dos eleitores republicanos na sequência das eleições intercalares do último mês com vista à sua recandidatura presidencial em 2024, mas uma sondagem conhecida esta semana coloca Trump 23 pontos percentuais atrás do seu principal oponente, o atual governador da Flórida, Ron DeSantis.
Segundo uma sondagem realizada pelo centro de estudos políticos da Universidade de Suffolk (Boston) para o jornal USA Today, apenas um terço dos eleitores republicanos ou de tendência eleitoral republicana quer que Trump se recandidate à presidência, enquanto dois terços querem que seja outro candidato a representar o Partido Republicano nas eleições.
Donald Trump, que foi Presidente dos EUA entre 2016 e 2020, saiu da Casa Branca depois de apenas um mandato — e a saída foi controversa. Não só Trump contestou o resultado das eleições que deram a vitória a Joe Biden como, no contexto dessa mesma contestação, os seus apoiantes invadiram o Capitólio no dia em que o Congresso deveria formalizar a vitória de Biden. A invasão do Capitólio continua sob investigação e Trump é o principal visado.
Recandidatura presidencial de Trump divide Republicanos e conservadores
O antigo Presidente prometeu que voltaria e cumpriu: em novembro, depois de umas eleições intercalares que não correram especialmente bem ao Partido Republicano, Donald Trump anunciou a sua candidatura às primárias republicanas, as eleições internas que vão servir para o partido nomear o seu candidato às eleições de novembro de 2024.
Dentro do Partido Republicano, porém, o apoio a Trump está longe de ser unânime.
Segundo a sondagem publicada pelo USA Today, 31% dos eleitores republicanos querem que Donald Trump se recandidate, enquanto 61% preferem que seja outro o candidato do Partido Republicano a implementar as mesmas políticas que Trump defende.
Concretamente, o atual governador da Flórida, Ron DeSantis, é o mais bem posicionado na sondagem. Questionados sobre em quem votariam numa disputa a dois entre DeSantis e Trump, 56% dos inquiridos escolheram DeSantis e apenas 33% optaram por Trump, uma vantagem de 23 pontos percentuais para o governador da Flórida.
Segundo o académico David Paleologos, diretor do centro de estudos políticos da Universidade de Suffolk, estes dados traduzem uma intenção crescente, por parte do eleitorado conservador, do “trumpismo sem Trump”.
As eleições intercalares realizadas em novembro foram antecipadas como o grande momento de regresso do Partido Republicano ao poder. Os republicanos pretendiam recuperar o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, as duas câmaras do Congresso, mas acabaram por conseguir fazê-lo apenas na Câmara dos Representantes — e por uma curta margem.