Deputados da Lituânia acusaram esta terça-feira a China, durante uma visita a Taipé, de usar todo o tipo de medidas para impedir a aproximação diplomática entre o país europeu e Taiwan.

Também um grupo de deputados alemães está esta semana a visitar a ilha, que Pequim reivindica como uma província sua, apesar de funcionar como entidade política soberana. A China lançou, entretanto, exercícios militares de grande escala junto a Taiwan nos últimos dias.

Os deputados da Lituânia afirmaram que a visita ao território visa abordar assuntos de segurança e os laços económicos. “Eles tentaram quebrar a nossa vontade, mudar as nossas decisões, assediar investidores e impor sanções económicas, mas nós sobrevivemos”, disse Laurynas Kasciunas, chefe da Comissão de Defesa e Segurança Nacional do parlamento da Lituânia.

“Agora, estamos resilientes e mais fortes, e podemos ser um modelo para outros países da União Europeia” (UE), defendeu.

A delegação lituana é chefiada por Kasciunas, juntamente com o vice-presidente do grupo de amizade de Taiwan no parlamento, Dovile Sakaliene. Os deputados traçaram paralelos entre a ameaça que enfrentam da Rússia e a ameaça que Taiwan enfrenta da China, dizendo que ambos têm vizinhos autoritários.

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Temos objetivos comuns muito claros, que é fortalecer a democracia a nível global (…), e realmente ajudar todos ao nosso redor a entender com muita clareza: não pode haver ambivalência. Ou estás com o agressor ou estás com a vítima”, disse Sakaliene.

A Lituânia despertou a fúria da China depois de ter rompido com a convenção diplomática, ao permitir que Taiwan nomeasse o seu escritório de representação em Vílnius como “Taiwan”, em vez de “Taipé Chinês”, um termo usado por outros países para evitar ofender Pequim.

A China expulsou o embaixador da Lituânia e reduziu as relações diplomáticas com o país báltico. Pequim também procurou punir economicamente o país ao bloquear as importações da Lituânia para a China. A Lituânia fechou então a sua embaixada em Pequim e abriu um escritório comercial em Taiwan, em novembro passado.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso Taipé declare formalmente a independência.

Pequim recusa ter relações oficiais com governos que reconhecem Taiwan como país soberano. Nos últimos anos, a China convenceu quase uma dúzia de países, a maioria deles na África e na América Latina, a cortar relações com Taipé, uma lista que inclui São Tomé e Príncipe.

Muitos governos, incluindo os Estados Unidos, têm relações diplomáticas oficiais com Pequim, mantendo extensos laços comerciais com Taiwan. Muitos mantêm relações com o governo democraticamente eleito da ilha por meio de escritórios comerciais que funcionam como embaixadas informais.

No ano passado, Taiwan iniciou um programa de crédito de mil milhões de dólares (930 milhões de euros), destinado a financiar projetos entre empresas lituanas e taiwanesas.

Os delegados alemães foram mais moderados na sua linguagem e não fizeram nenhuma crítica direta à China. A delegação reuniu esta terça-feira com a líder de Taiwan Tsai Ing-wen.

“Acreditamos que qualquer mudança no ‘status quo’ do Estreito de Taiwan só pode ser alcançada por acordo mútuo e qualquer tentativa de mudar o ‘status quo’ pela força, ou a ameaça de utilizar a força, é inaceitável”, disse Johannes Vogel, vice-presidente do Partido Democrático Livre da Alemanha.

Vogel está a chefiar a delegação alemã, em conjunto com Marie-Agnes Strack-Zimmermann, que lidera o Comité de Defesa do Bundestag, o parlamento alemão.