O número de bebés nascidos na região de Lisboa e Vale do Tejo (tal como em todo o país) aumentou nos primeiros seis meses de 2023, mas não aumentou da mesma forma nos hospitais públicos e nos hospitais privados.

Entre janeiro e junho, os hospitais da Luz, dos Lusíadas e da CUF de Lisboa fizeram 4.926 partos, um aumento de 20,6% relativamente ao mesmo período no ano passado. Já nos 13 hospitais públicos com capacidade para fazer partos região de Lisboa e Vale do Tejo nasceram, nos mesmos seis meses, 12.363 bebés — apenas mais 2,9% do que no primeiro semestre de 2022.

Os números, que estão a ser avançados esta quinta-feira pelo Público, serão indissociáveis da falta de médicos que obrigou, no início do ano, a recém-criada Direção Executiva do SNS a estabelecer o sistema de funcionamento rotativo das maternidades da região, que estará agora a provocar uma “fuga para os privados”, disse ao jornal Nuno Clode, presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal e coordenador do serviço de ginecologia e obstetrícia da CUF de Torres Vedras.

“Faço clínica e as mulheres queixam-se de que não sabem o que lhes vai acontecer”, revelou o médico, garantindo que as grávidas se sentirão “perdidas” no SNS e que se sentirão “mais calmas e tranquilas” nos privados.

A mesma visão não tem a própria Direção Executiva do SNS que, também ao Público, contestou a comparação direta do número de partos feitos em hospitais públicos e privados.

É o setor publico que responde à “esmagadora maioria das situações complexas e de alto risco, pelo que olhar apenas os números absolutos de partos de forma superficial pode levar a que não sejam consideradas as assimetrias de recursos e meios investidos no acompanhamento e concretização de gravidezes e partos complexos face a situações simples e sem complicações“, assinalou o organismo liderado por Fernando Araújo, chamando ainda a atenção para as “percentagens anormalmente elevadas de cesarianas” dos privados.

Nas 13 maternidades públicas da região de LVT nos primeiros seis meses do ano terão nascido, em média, mais dois bebés por dia do que no mesmo período de 2022, disse a Direção Executiva do SNS ao Público. A taxa de cesarianas, que ronda os 32%, mantém-se inalterada em relação ao ano passado, acrescentou a mesma fonte.