A Hawaiian Electric terá retirado postes de eletricidade danificados e outros equipamentos de um local importante para a investigação oficial aos mortíferos incêndios que começaram a 8 de agosto na localidade de Lahaina, podendo ter comprometido provas que indiquem como o fogo deflagrou, avança o Washington Post.

Investigadores da ATF (força federal norte-americana de investigação) chegaram à ilha para averiguar a origem dos fogos. Porém, as equipas da empresa da Hawaiian Electric, que poderão ter violado as diretrizes nacionais, já tinham limpado grande parte do local, que se encontra perto de uma subestação (instalação elétrica) em Lahaina. A empresa de serviço público acabou por transferir o equipamento danificado para um armazém.

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O facto da empresa ter mexido em eventuais provas criminais é “problemático, porque queremos observar onde estava o equipamento relativamente ao local da ignição“, declarou ao Washington Post Michael Wara, dirigente do Programa de Política Climática e Energética da Universidade de Stanford.

Darren Pai, porta-voz da Hawaiian Electric, afirmou que a Hawaiian Electric está “a cooperar para fornecer aos advogados, que representam as pessoas afetadas pelos incêndios florestais, inventários e acesso ao equipamento removido, que temos cuidadosamente fotografado, documentado e armazenado”, menciona o Washington Post.

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As autoridades da região de Maui, que já avançou com um processo contra a empresa, argumentam, citadas pelo The Guardian, que a “destruição poderia ter sido evitada” caso a empresa tivesse ligado aos avisos meteorológicos e desligado as suas linhas durante as fortes rajadas de vento, um erro que apontam como “indesculpável”.

A ação judicial argumenta ainda, segundo a Reuters, que a empresa tinha consciência do risco de incêndios, não só durante os meses de verão como também, no dia que o incêndio deflagrou, de ventos fortes na região, que facilitaram o alastramento das chamas.

No processo é pedida uma indemnização à Hawaiian Electric pelas perdas sofridas. A quantia, que não é especificada, inclui danos materiais e os custos de supressão dos incêndios.

Face ao processo de Maui, acionistas da empresa apresentaram, na quinta-feira, a sua própria ação judicial num tribunal federal em São Francisco, alegando que a Hawaiian Electric não divulgou informações importantes sobre os seus protocolos de prevenção e segurança contra incêndios florestais. A empresa enfrenta, pelo menos, mais nove processos judiciais.

Embora se desconheça a verdadeira causa dos incêndios, cuja investigação está em desenvolvimento, as autoridades suspeitam que os equipamentos alegadamente defeituosos da Hawaiian Electric poderão ter projetado faíscas para áreas de vegetação seca que, juntamente com os ventos, poderá ter provocado os fogos mais mortíferos dos Estados Unidos dos últimos 100 anos.

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