No terceiro dia da guerra entre o grupo Hamas e Israel, o conflito escalou e entre as acusações aumentaram de tom, ainda que já se fale numa possível trégua. As forças armadas israelitas continuaram a atacar a Faixa de Gaza, ao passo que os membros do grupo islâmico abrandaram a ofensiva, ainda que permaneçam as tensões na fronteira de Israel.

A ofensiva abrandou, mas a retórica não. Os membros da brigada Qassam do Hamas deixaram, esta segunda-feira, um sério aviso às forças armadas israelitas. Se não pararem os bombardeamentos à Faixa de Gaza, o grupo islâmico ameaça que vai matar um refém por cada ataque. “Qualquer ataque a civis inocentes sem aviso levará, lamentavelmente, à execução de um refém que está sob nossa custódia”, ameaçou o porta-voz do braço armado do Hamas, Abu Obeida, que até referiu que o grupo seria obrigado a “transmitir” as mesmas.

Mesmo com as ameaças do Hamas relativamente aos reféns — que se estima que serão cerca de 100 —, Israel avisou que não ia parar com os bombardeamentos à Faixa de Gaza. As autoridades apenas admitem “abrandar” os ataques em certas regiões em que tenham conhecimento prévio de que há civis israelitas.

Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, num discurso à nação, assegurou que o país vencerá a guerra. E lembrou as atrocidades cometidas pelo Hamas, comparando aquele grupo ao Estado Islâmico. “Vamos derrotar o Hamas como o Ocidente derrotou o Estado Islâmico”, prometeu o chefe do executivo israelita, que salientou que o mundo viu a “brutalidade” daquele grupo.

“Cidadãos de Israel, estamos apenas a começar a atingir o Hamas”, garantiu, acrescentando: “Isto é apenas o início. Não vamos parar”. O primeiro-ministro vincou que Israel vai ainda lançar um “ataque massivo” contra o grupo islâmico — tudo o que se viu até ao momento é “apenas o início”. “Todos os inimigos vão saber que foi um erro terrível atacar Israel. Vai ecoar por gerações.”

Embora a retórica mais inflamada, cerca de uma hora depois de anunciar que poderia matar reféns israelitas, um dirigente do Hamas, Moussa Abu Marzouk, reconheceu que o grupo está disponível para discutir uma possível trégua com Israel, uma vez que já tinham sido “alcançados os objetivos” a que o Hamas se tinha proposto antes desta operação militar.

Na fronteira a norte, esta segunda-feira também ficou marcada pelos ataques na fronteira entre o Líbano e Israel. As Forças de Defesa israelitas avançaram foram disparados rockets para o seu território desde o país vizinho, enquanto o grupo islâmico libanês pró-Irão Hezbollah também contra-atacou e fez uma incursão em território israelita.

Ocidente coloca-se ao lado de Israel

O chanceler alemão, Olaf Scholz, o Presidente norte-americano, Joe Biden, o Chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, conversaram na noite desta segunda-feira sobre a situação em Israel. Os cinco países expressaram o seu “apoio firme” e “unido” a Telavive, assim como a “condenação inequívoca” do Hamas e os seus “atos hediondos de terrorismo”.

“Queremos deixar claro que as ações terroristas do Hamas não têm justificação, não têm legitimidade e devem ser universalmente condenadas”, lê-se no comunicado assinado pelo cinco países no site da Casa Branca. No documento, os líderes indicam que não “há qualquer justificação para o terrorismo”, lembrando os “massacres dos terroristas do Hamas”.

Para além da condenação a Hamas, os cinco países estão ao lado de Israel: “Os nossos países vão apoiar Israel nos seus esforços para se defender e para defender o seu povo dessas atrocidades”. “Enfatizamos que este não é o momento para nenhuma parte hostil explorar os ataques para tirar vantagem.”

Reconhecendo as “aspirações legítimas do povo palestiniano” mas reforçando que o Hamas não as representa, os cinco países asseguram que vão “continuar unidos e coordenados”, juntamente com outros aliados, como “amigos comuns de Israel, para garantir que o país é capaz de se defender”. Outro dos objetivos é, dizem os líderes, “estabelecer as condições” para a paz no Médio Oriente