Tem andado ausente da pré-campanha eleitoral, embora seja um dos líderes dos três partidos que compõem a Aliança Democrática. Mas esta terça-feira, o líder do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira, reapareceu e assumiu não ter gostado do lugar de pouco destaque que lhe calhou nas listas de candidatos a deputados. E recusou que seja preciso “andar de mão dada” com Luís Montenegro.

Em conversa com a CNN a partir da Madeira, Câmara Pereira começou por admitir um afastamento do seu partido na campanha mas assumindo parte da responsabilidade: “Talvez eu me tenha colocado um bocado também à margem”. Quem tem mesmo de aparecer porque é a “pessoa importante” é Luís Montenegro, frisou repetidamente, assegurando que o tempo do PPM “há-de chegar”.

Não acredita que seja útil estar sempre a aparecer ao lado do líder da coligação: “Porque é que vou lá estar de mão dada com ele? Para andar de mão dada ando com a minha mulher”. Mas assumiu ter reclamado um lugar melhor para o PPM (está em 19º lugar no círculo de Lisboa) nas listas de deputados. “Faz parte. Damos o nome e no fim não podemos intervir na sociedade? Estamos num lugar não muito elegível mas com capacidade para entrar”.

Na mesma conversa, Câmara Pereira recusou comentar especificamente o caso judicial na Madeira, mas sentenciou que a Justiça “está como a República: o caos”. E respondeu às acusações de machismo, depois de terem circulado declarações muito polémicas que chegou a fazer num programa da manhã em 2017, quando estava a comentar a decisão do juiz Neto de Moura de não agravar a pena de um agressor num caso de violência doméstica por a vítima ser “adúltera”. Na altura, Câmara Pereira deu razão ao juiz e defendeu. “Ela pôs os palitos [ao marido], então mamou-as”, conforme cita o Polígrafo.

Desta vez, Câmara Pereira argumentou que na altura estava a fazer teatro e que a posição que assumiu não era real. “Quando eu fazia teatro, uma vez saí do palco a fazer uma peça de Shakespeare e chamavam-me rei Eduardo IV. Consideram-me um bom ator. Durante dez anos contrataram-me para ser um machista nos programas da manhã do Goucha, e transportaram para a política, não sei se por maldade ou por ignorância”, justificou. No entanto, em declarações ao Polígrafo, transcritas no mesmo texto, não falava em trabalho como ator, mas dizia que tinha construído um “boneco” para “criar polémica”.

Esta terça-feira defendeu, como prova de que não é machista: “Tenho uma mulher e tenho quatro filhos, por amor de Deus! Nem nunca me passou pela cabeça bater numa mulher. Nem com uma flor se bate numa mulher”. Frisou ainda ter ficado “contente” com o papel que fez, e que hoje repetiria. “Fui considerado um bom ator, confundem a minha postura com o meu papel. Eu sou cantor, fadista, agricultor (…). Agora que ando na política não ia cantar? Continuo a cantar. De manhã vou tomar conta das vacas. E à tarde faço política”. Só não sabe ainda o que fará na noite eleitoral, mas espera estar ao lado dos outros líderes da AD.