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Emmanuel Macron recusa demitir-se antes do final do seu mandato, em 2027, e garante que vai “exercer o cargo de Presidente até ao fim”. “A minha responsabilidade exige garantir a continuidade do Estado, o bom funcionamento das nossas instituições, a independência de nosso país e a proteção de todos vocês”, disse, citado pelo Le Monde.

Tal como marcado, falou ao país às 20h00 da noite (hora local em França), um dia depois de os deputados franceses terem aprovado uma moção de censura e fazerem cair o governo de Michel Barnier. Macron não apresentou, contudo, um novo nome para o cargo, dizendo que só o fará “nos próximos dias”. “Vou pedir a essa pessoa que crie um governo de interesse nacional. Esse primeiro-ministro irá formar um governo unido ao vosso serviço [do povo francês”], assegurou.

No discurso, começou por agradecer ao primeiro-ministro demissionário “pelo trabalho que realizou pelo país”, pela sua “dedicação” e pela sua “combatividade”. Macron disse acreditar que o governo de Barnier esteve “à altura do momento”, mesmo que tenha caído três meses depois de tomar posse.

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Para o chefe de Estado francês, “a extrema-direita e a extrema esquerda uniram-se numa frente anti-republicana“, que gerou este desfecho. Acusou as mesmas forças partidárias de não se preocuparem com as vidas dos franceses, mas apenas com o seu futuro e ganhos políticos. “Só pensam nas presidenciais, para as precipitar, com cinismo e com desejo de caos”, defende.

“Eu sei que algumas pessoas estão tentadas a responsabilizar-me por essa situação. É muito mais confortável”, acrescentou.

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Macron garantiu ainda que uma lei financeira especial será apresentada ao Parlamento antes de meados de dezembro para que seja possível “a continuidade dos serviços públicos e da vida do país”. A moção de censura deixou França sem orçamento para 2025.

Segundo o Presidente francês, esta lei “aplicará as escolhas de 2024 para 2025”. “Espero que uma maioria possa emergir para adotá-la no Parlamento”, apelou. A lei mencionada, criada em 2001, nunca foi utilizada no país, mas permite que o Orçamento que esteve em vigor em 2024 seja aplicado sem alterações em 2025, num regime de duodécimos.

Emmanuel Macron aceitou pedido de demissão formal de Michel Barnier

Dirigindo-se à população francesa, Macron pediu ainda a “reconstrução da nação”, para que onde “haja explosões e insultos”, se “devolva a sabedoria”. “Onde quer que alguns cedam à angústia, queremos a esperança”, apelou ainda o Presidente francês.

Esta quinta-feira de manhã, o Presidente francês aceitou o pedido de demissão formal do primeiro-ministro, apresentado na sequência da Assembleia Nacional ter aprovado uma moção de censura que derrubou o executivo na noite de quarta-feira.

O governo caiu depois de ter sido aprovada uma de duas moções de censura, propostas pela Nova Frente Popular e pela União Nacional. As moções foram apresentadas como forma de bloqueio à mobilização do artigo 49.º, parágrafo 3 da Constituição francesa por Michel Barnier, que permite que o documento do Orçamento do Estado seja aprovado por decreto, sem precisar de ser aprovado pelo Parlamento.