Pedro Passos Coelho alertou para os perigos do populismo e dos extremismos no atual panorama político europeu na sua intervenção na cimeira sobre geopolítica em que participou esta quarta-feira, no Porto.”Não podemos voltar a ter uma crise em que as pessoas se zangam com o governo, porque as pessoas quando se zangam com o governo votam nos extremos“, afirmou, citado pelo Expresso, que teve acesso a um registo da intervenção do antigo primeiro-ministro, sendo que a conferência decorreu à porta fechada.
O social-democrata entende que as pessoas “não gostam do extremismo”, mas que são obrigadas a votar nele por estarem de costas voltadas com quem as governa. Perante isto, segundo Passos, “faz-se o pior que pode haver”, que é “fazer de extremista e pôr o populismo a funcionar no Estado, no governo“.
Para fazer frente aos dois inimigos da política atual — o populismo e o extremismo –, Passos entende que é necessária coragem e verdade, mesmo que essa abordagem resulte em derrotas políticas e eleitorais. “Se perdemos, perdemos, mas quando ninguém diz o que está certo ou quando ninguém diz aquilo que pensa ou em que acredita, então, o resultado é pior”, alertou.
Passos relacionou ainda a crise das dívidas soberanas e a crise pandémica — aquelas que considera serem as duas principais crises da União Europeia nos últimos anos — com a viragem política para os extremos e com o constante adiamento da resolução de problemas estruturais ao nível europeu.
Para o ex-líder do PSD, a maneira como a pandemia de Covid-19 foi gerida acabou por alimentar governos populistas: “Andaram a enganar as pessoas ao longo destes anos, dando a entender que estaríamos melhor preparados, quando não estamos”. Já sobre as crises económicas, afirmou que não foram sequer previstas políticas contracíclicas e que há uma degradação dos saldos estruturais.
Passos Coelho: “Estou fora da atividade partidária e política e assim me tenciono manter”
O social-democrata, que palestrou durante cerca de 60 minutos, assinalou a situação política francesa, em plena crise com a queda do governo. ““Não há euro sem a França, não há Europa sem a França”, avisou.
Na quarta-feira, à chegada da conferência que decorreu na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Pedro Passos Coelho assegurou que pretende manter-se fora da vida política. Isto numa altura em que o nome do antigo primeiro-ministro continua a surgir como bem colocado nas sondagens para as Presidenciais de janeiro de 2026. “Estou fora da atividade partidária e política e assim me tenciono manter”, assegurou, escusando-se a declarações políticas.