É natural a curiosidade em torno das modificações introduzidas no Model Y da Tesla, o modelo que em 2023 foi o eléctrico mais vendido do mundo e inclusivamente o líder do ranking das vendas à escala global, independentemente do tipo de energia. E depois de ser público que a Tesla iria estender ao Model Y melhorias similares às introduzidas no Model 3 em Setembro de 2023 e que estas iriam surgir logo no início do ano, não foi uma grande surpresa constatar que a produção do renovado Model Y arrancou em Xangai nos primeiros dias de Janeiro, de onde é também exportado para os mercados da região Ásia Pacífico, para iniciar de imediato as vendas e surgir no configurador do construtor.

Através do site chinês da Tesla, foi possível conhecer a velocidade máxima e a aceleração de 0-100 km/h, para determinar se houve (ou não) evolução face ao modelo anterior. Mas os chineses possuem um sistema próprio para medir consumos e emissões de CO2, o denominado CLTC que é similar ao velho método europeu NEDC e que, como tal, peca por ser excessivamente optimista. Tendo por referência o actual protocolo europeu WLTP, os valores relativos à autonomia homologada para a China não têm correspondência na Europa, apesar de permitirem concluir que o incremento será mínimo. Isto se os Model Y europeus, fabricados em Berlim, montarem as mesmas baterias instaladas nos seus congéneres de Xangai, o que pode não acontecer.

Alguns dos sites da Tesla, no caso o da Nova Zelândia, divulgam as autonomias do novo Model Y segundo o método europeu WLTP

Mas se na China reina o CLTC, há mercados no bloco Ásia Pacífico que aderiram ao WLTP europeu, como é o caso de Singapura, Nova Zelândia, Hong Kong, Macau e até a Austrália, o que revelou a autonomia dos Model Y fabricados na China calculada segundo o método utilizado na Europa (e em Portugal). De acordo os sites oficiais destes mercados, o Model Y RWD, o mais acessível da gama, anuncia em WLTP uma autonomia de 466 km, uma magra evolução de apenas 11 km face ao modelo antigo. O Model Y Long Range AWD reinvidica 551 km entre recargas, o que se traduz por um ganho de somente 18 km face à versão anterior. Isto irá potencialmente defraudar as expectativas dos potenciais clientes do Model Y, que esperariam incrementos como os conseguidos no Model 3, que na versão mais barata viu a autonomia subir de 455 km para 554 km, com jantes de 18”, o que significa um salto positivo de 99 km.

Renovado Model Y chega este ano com novos argumentos

Se compararmos as três principais características do novo Model Y com a versão anterior, é fácil constatar, como já vimos, que a autonomia cresce, mas de forma anémica. A velocidade máxima regride de 217 km/h para 201 km/h, tanto na versão RWD como na LR AWD, mas a capacidade de aceleração usufrui de um boost. O Model Y RWD passa a franquear a barreira dos 100 km/h um segundo mais cedo (5,9 em vez de 6,9 segundos), enquanto o LR AWD ganha 0,7 segundos, ultrapassando a mesma fasquia ao fim de 4,3 segundos, em vez dos anteriores 5,0 segundos. Resta conhecer ainda os preços da nova geração do SUV mais acessível da Tesla, para perceber se se confirma um incremento de 5% ou se, pelo contrário, se mantêm os mesmos valores, como aconteceu com o restyling do Model 3.