As duas derrotas consecutivas entre o final de um ano e o início do outro funcionaram como um autêntico despertador para o Benfica. Os encarnados perderam com Sp. Braga e Sporting, aprenderam a lição e aceleraram: vingaram-se de minhotos e leões, conquistaram a Taça da Liga e desde aí já seguiram em frente na Taça de Portugal e anularam o Famalicão. Ou seja, foram do melhor ao pior em menos de um mês.
Esta terça-feira, com o regresso do Estádio da Luz às noites europeias, o Benfica tinha a possibilidade de tornar o melhor em fantástico. A equipa de Bruno Lage recebia o Barcelona na sétima jornada da Liga dos Campeões, a penúltima, e não só procurava pontuar para começar a garantir o playoff de acesso aos oitavos de final como tentava repetir um dos momentos mais épicos da história recente do clube — a vitória frente aos catalães por 3-0, em 2021, com golos de Darwin e Rafa.
Ficha de jogo
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Benfica-Barcelona, 4-5
Fase de liga da Liga dos Campeões
Estádio da Luz, em Lisboa
Árbitro: Danny Makkelie (Países Baixos)
Benfica: Trubin, Tomás Araújo, António Silva, Otamendi, Álvaro Carreras, Florentino, Fredrik Aursnes (Leandro Barreiro, 61′), Kökçü (Rollheiser, 80′), Aktürkoğlu (Di María, 71′), Schjelderup (Alexander Bah, 71′), Pavlidis (Amdouni, 80′)
Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Arthur Cabral, Prestianni, Jan-Niklas Beste, Nuno Félix, Adrian Bajrami, João Rego
Treinador: Bruno Lage
Barcelona: Szczesny, Jules Koundé (Eric García, 74′), Pau Cubarsí, Ronald Araújo, Álex Baldé (Ferran Torres, 74′), Marc Casadó (Frenkie de Jong, 62′), Pedri, Gavi (Fermín López, 62′), Lamine Yamal (Gerard Martín, 90+2′), Lewandowski, Raphinha
Suplentes não utilizados: Iñaki Peña, Diego Kochen, Ansu Fati, Pablo Torre, Andreas Christensen, Pau Victor, Héctor Fort
Treinador: Hansi Flick
Golos: Pavlidis (2′, 22′ e gp, 30′), Lewandowski (gp, 13′ e gp, 78′), Raphinha (64′ e 90+6′), Ronald Araújo (ag, 68′), Eric García (86′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Gavi (36′), a Jules Koundé (67′), a Álvaro Carreras (76′), a Frenkie de Jong (90+4′), a Fermín López (90+8′); cartão vermelho direto a Arthur Cabral (90+8′)
“São estes jogos que nós queremos jogar. Já disse isto duas ou três vezes: há uns meses, vi os meus filhos a ver o João Félix a jogar um Barcelona-PSG. Estava na bancada e hoje vou estar a jogar contra o Barcelona. Aquilo que sinto é que também eu tenho a felicidade de estar num grande clube. Do outro lado, o Barcelona também vai olhar para o Benfica e vai achar o desafio muito interessante, porque o Benfica é um grande clube. Vai ser um jogo muito interessante e é para isto que vivemos, para estas grandes noites”, explicou o treinador encarnado na antevisão da partida.
Neste contexto, Bruno Lage já podia contar com Di María mas ainda deixava o argentino no banco, mantendo a aposta em Aktürkoğlu e Schjelderup no apoio a Pavlidis. Fredrik Aursnes voltava à titularidade no meio-campo, em detrimento de Leandro Barreiro, e Tomás Araújo era novamente lateral-direito. No Barcelona, que estava no segundo lugar da Liga dos Campeões e vinha de um empate no Campeonato, Hansi Flick surpreendia ao lançar Szczesny ao invés de Iñaki Peña na baliza.
1.º ⚽⚽⚽ hat-trick de Pavlidis pelo Benfica, o 3.º na carreira: já tinha feito 2 ao serviço do AZ, o último em outubro de 2023 pic.twitter.com/2C6PzK4pSG
— Playmaker (@playmaker_PT) January 21, 2025
O primeiro remate do jogo até pertenceu a Lamine Yamal, que atirou de fora de área para Trubin encaixar (2′), mas não foi preciso esperar praticamente nada para ver um golo. Num lance de transição rápida praticamente perfeito, Tomás Araújo abriu da direita para a esquerda, Álvaro Carreras cruzou para a área e Pavlidis, de primeira, atirou em força para abrir o marcador (2′). O Benfica geriu bem os instantes logo depois do golo e até poderia ter aumentado a vantagem, com Aursnes a atirar ao lado na área na sequência de outro grande cruzamento de Carreras (6′), mas o Barcelona não demorou a reagir.
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Os catalães ficaram muito perto do empate ainda dentro dos dez minutos iniciais, com Lewandowski a atirar por cima na cara de Trubin (9′), e conseguiram mesmo recuperar a igualdade logo depois. Tomás Araújo fez falta sobre Baldé na área do Benfica, o árbitro foi ao VAR analisar as imagens e assinalou grande penalidade, com Lewandowski a bater Trubin (13′). Os encarnados sentiram o golo do empate, até porque surgiu numa altura em que ainda estavam a discutir posse de bola e controlo de dinâmicas, e acabaram por permitir a superioridade do Barcelona.
⏱️ INTERVALO | ???????? Benfica 3 – 1 Barcelona ????????
◉ Atenção: ainda só passaram 45' e Carreras ???????? já leva 4 intercepções, além da assistência e de 2 ocasiões flagrantes criadas#SLBFCB #ChampionsLeague #UCL #RatersGonnaRate pic.twitter.com/c55oR6AzdD
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A equipa de Hansi Flick subiu ainda mais as linhas, começou a pressionar ainda mais alto e passou a evitar as transições rápidas que o Benfica tinha desenhado até então. Gavi ficou muito perto de marcar com um remate na área que Trubin defendeu (20′), Ronald Araújo cabeceou por cima depois de um canto (22′) e o relvado começava a tombar — até que aconteceu o inexplicável. Szczesny desentendeu-se com Baldé numa saída da baliza, os dois jogadores esbarraram e Pavlidis ficou completamente isolado, atirando para a baliza deserta e reconquistando a vantagem do Benfica (22′).
O Barcelona não conseguiu reagir ao segundo golo da mesma maneira que tinha reagido ao primeiro e os encarnados aproveitaram para aumentar a vantagem: Szczesny voltou a errar, fez falta sobre Aktürkoğlu na grande área e Pavlidis converteu a grande penalidade para carimbar o hat-trick (30′). Ao intervalo, o Benfica estava a vencer o Barcelona na Luz por dois golos de diferença e, para além do destaque óbvio para Pavlidis, ia assistindo a uma exibição impressionante de Álvaro Carreras.
⏱️ INTERVALO | ???????? Benfica 3 – 1 Barcelona ????????
◉ Grande 1ª parte do #SLBenfica, a destruir o Barça no contra-ataque e com hat-trick de Pavlidis ????????
◉ Catalães com 71% de posse de bola, mas lusos muito mais competentes quando a têm#SLBFCB #ChampionsLeague #UCL #RatersGonnaRate pic.twitter.com/jrDlbZxPIe— GoalPoint (@_Goalpoint) January 21, 2025
Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o Barcelona poderia ter reduzido a desvantagem logo nos primeiros minutos, com Koundé a aparecer na cara de Trubin a rematar para uma boa defesa do guarda-redes ucraniano (49′). Ainda assim, o Benfica parecia confortável com a lógica do jogo: os catalães tinham mais bola, mantinham a linha defensiva muito elevada e deixavam muito espaço nas costas, o que abria a porta a contra-ataques e transições rápidas que os encarnados tentavam sempre explorar.
Bruno Lage e Hansi Flick mexeram ao mesmo tempo, com Leandro Barreiro a render Aursnes e De Jong e Fermín López e refrescarem o Barcelona, e o tempo ia passando sem que os catalães tivessem verdadeiras oportunidades de golo apesar de controlarem a posse de bola quase por inteiro. Já depois da hora de jogo, porém, o azar mostrou que estava numa única baliza — Trubin acertou em Raphinha numa reposição de bola e o brasileiro, de cabeça, conseguiu reduzir a desvantagem num lance muito caprichoso (64′).
⏱️ 75’ | ???????? Benfica 4 – 2 Barcelona ????????
◉ Apesar do amplo domínio do Barça na posse, a verdade é que está equilibrado no número de acções com bola na área contrária (16-19)#SLBFCB #ChampionsLeague #UCL #RatersGonnaRate pic.twitter.com/iv9DmxgQUQ
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Mas esta era uma daquelas noites em que nunca nada era definitivo — e não foi preciso esperar cinco minutos para ver o quarto golo do Benfica. Tomás Araújo cruzou da direita para a esquerda, Schjelderup tentou pôr na área e Ronald Araújo, ao procurar intercertar, desviou para a própria baliza (68′). Dez minutos depois, Carreras fez falta sobre Yamal na grande área e Lewandowski, novamente de grande penalidade, bisou para reduzir o resultado e deixar tudo ainda em aberto (78′).
Bruno Lage esgotou as substituições nos últimos minutos, colocando Di María, Bah, Rollheiser e Amdouni, e o Benfica não aguentou o all in do Barcelona. Já perto do fim, na sequência de um canto curto na esquerda, Eric García fugiu a toda a marcação e cabeceou para empatar (86′). No último lance do jogo, aconteceu o quase impensável: jogada muito confusa na área dos catalães, pedidos de grande penalidade sobre Leandro Barreiro e Raphinha, no contra-ataque, bisou para carimbar a derrota dos encarnados (90+6′).
Numa noite de loucos na Luz, o Benfica perdeu com o Barcelona num jogo em que chegou a ter dois golos de vantagem e caiu para o 11.º lugar da Liga dos Campeões, correndo agora o risco de ficar fora da zona de apuramento para o playoff com os encontros desta quarta-feira. Os encarnados marcaram quatro golos aos catalães, reagiram até quando viram a superioridade reduzida, mas perderam ímpeto nos momentos decisivos e capitularam. Afinal, são os loucos de Lisboa que nos fazem duvidar se os deuses do futebol estavam acordados.
⏱️ FINAL | ???????? Benfica 4 – 5 Barcelona ????????
◉ Derrota amarga do #SLB no último lance, após estar a vencer por 4-2
◉ Jogo empolgante na Luz com balde de água fria
◉ Jogo com recorde de ocasiões flagrantes (13)
◉ Ratings e Match Report em https://t.co/QZuwKyufuG#SLBFCB… pic.twitter.com/bebR57ql4j— GoalPoint (@_Goalpoint) January 21, 2025