Não se despeça já da gabardina e das galochas. A chuva vai fazer um intervalo esta quinta e sexta-feira, mas voltará em força no fim de semana e logo com dois rios atmosféricos. Vêm arrastados por tempestades explosivas, a Éowyn, primeiro, e a Floris, depois, que se formaram no Atlântico na sequência da corrente do forte jato polar que esta semana fez com que uma histórica massa de ar frio ártico afetasse o tempo nos EUA, com uma queda de neve incomum, que cobriu de branco praias do Texas até à Flórida e obrigou à posse indoor de Donald Trump.

Este jet stream com ventos recorde, de 350 a 370 km/h, a 9km de altitude — permitiu das viagens mais rápidas de sempre entre Los Angeles e Londres — criou condições para a formação de um comboio de tempestades no Atlântico por baixo dele: e a primeira, a Éowyn, pode ter mesmo consequências muito graves nas ilhas britânicas, em especial na Irlanda, a partir de sexta-feira: vários alertas vermelhos já foram acionados. Os meteorologistas avisam que “terá a força de um furacão”.

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Espera-se um dos piores temporais dos últimos 100 anos: estão previstos ventos ciclónicos de 180km/h com rajadas a chegar aos 242 km/h, mais fortes de facto que os do furacão Ophelia. Há quem já lhe chame mesmo o “ciclone do século”, pois será a tempestade com os ventos mais fortes no Atlântico em décadas, segundo as atuais previsões.

Em Portugal, quer a Éowyn quer a Flóris, mais em concreto as frentes que as precedem e depois as que se lhe seguem (os rabos das tempestades), atingirão sobretudo o norte e centro do país e as ilhas dos Açores. São conhecidas como depressões cavadas ou ciclogéneses explosivas, devido às baixas pressões que atingem em muito pouco tempo. Trarão chuvas fortes, muito vento (mesmo muito) — no Minho, com rajadas da ordem de 80 km/h nas zonas do litoral e das terras altas — e também, como consequência, agitação marítima com ondas de 4 a 5 metros. Apesar da chuva forte e intensa cair sobretudo no norte e centro, a precipitação estender-se-á a todo o continente e ilhas.

Assim, sábado a chuva será intensa e forte — o sul, desta vez, será mais poupado —, abrandará domingo, ficando em regime de aguaceiros, e voltará de novo forte na segunda de acordo com os modelos atuais, já a cargo da Flóris. Chuva que se manterá pelo menos até quarta-feira. E é muito provável que até ao fim da semana ainda apareçam mais frentes atlânticas para terminar este mês de janeiro bastante chuvoso.

Quanto a temperaturas, manter-se-ão amenas, com as máximas entre os 16º a 17ºC e as mínimas dos 9º a 10ºC.

IPMA: avisos de mau tempo voltam na sexta-feira a todo o território

Vários distritos do continente e os arquipélagos da Madeira e Açores voltam por tudo isto a estar sob aviso amarelo esta sexta-feira e sábado por causa da previsão de chuva e agitação marítima fortes.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou com aviso amarelo os distritos do Porto, Aveiro, Viana do Castelo e Braga entre as 18h00 de sexta-feira e as 0h00 de sábado devido à chuva.

O IPMA emitiu também aviso amarelo para os distritos de Lisboa e Leiria por causa da agitação marítima até às 12h00 desta quinta-feira e novamente entre as 18h00 de sexta-feira e as 18h00 de sábado.

Também por causa do estado do mar, os distritos do Porto, Viana do Castelo, Faro, Setúbal, Beja, Aveiro, Coimbra e Braga estarão a amarelo entre as 18h00 de sexta-feira e as 18h00 de sábado.

A previsão aponta para ondas de noroeste com quatro a cinco metros.

Também as costa norte da ilha da Madeira e o Porto Santo estão sob aviso amarelo até às 15h00 desta quinta-feira por causa da agitação marítima, prevendo-se ondas de oeste/noroeste com quatro a cinco metros.

O IPMA colocou o grupo ocidental (Flores e Corvo) também com aviso amarelo devido à ondulação entre as 18h00 desta quinta-feira (19h00 em Lisboa) e as 0h00 de sexta-feira (1h00 em Lisboa).

O aviso amarelo, o menos grave de uma escala de três, é emitido sempre que existe uma situação de risco para determinadas atividades dependentes da situação meteorológica.