Confirma “o lapso” de ter levado uma mala alheia no aeroporto e evoca a possibilidade das imagens de outros alegados furtos terem sido manipuladas por inteligência artificial. Em entrevista à TVI, o deputado não-inscrito Miguel Arruda afirma, também, que o “caso está em segredo de justiça”.

Questionado sobre o número de malas em sua posse, o antigo deputado do Chega esclarece que “mandava vir mercadoria de vários sites” como, por exemplo, a Vinted e o AliExpress — que “chega muito mais rapidamente ao continente” — para levar de volta para os Açores, para a mulher e para as filhas.

O tema da aplicação Vinted, utilizada para comprar e vender itens em segunda mão, foi também levantado devido à existência de um perfil na plataforma com o nome “miguelarruda84” — nome e ano de nascimento do deputado — que foi desativado ainda esta quinta-feira. “Eu não sei de que conta está a falar. Tenho memória de ter criado uma conta para vender umas coisas, não sei se cheguei a vender”, diz Miguel Arruda.

A conta, com o seu nome, vendia dezenas de artigos de homem, mulher e criança, de tamanhos e marcas variadas. Afirma, porém, que “não fazia negócios”. “Se fazia era de umas camisas minhas da Primark ou lá o que é, porque depois eu emagreci, como devem ter visto nos últimos tempos”, adianta, colocando em cima da mesa a hipótese de as operações na plataforma terem sido avançadas pela sua mulher, “para se entreter um bocadinho”.

Vendas online de deputado do Chega investigadas. Conta da Vinted com nome, ano de nascimento e referência regional foi apagada

Remetendo para o momento em que foi apanhado em flagrante delito, nega a presença de uma juíza e elementos do Ministério Público no aeroporto, afirmando que “ainda demoraram uma hora e meia ou duas a chegar”. Apesar de ter dito que o episódio foi “um lapso”, e que foram apreendidas quatro das suas malas nos Açores e outras três em Lisboa, Miguel Arruda considera que existe a possibilidade de todo este caso ter “conotações políticas”.

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“Com o desenvolvimento dos tempos e da maneira que me querem crucificar, já cheguei a pensar que isto tem conotações políticas, por andar a atacar certos e determinados interesses que estão instalados nesse país. Quando comecei a atacar esses interesses, fui logo atacado, fui logo silenciado”, diz o deputado. Confrontado com a existência de imagens captadas por câmaras no aeroporto, Miguel Arruda remete para “as novas tecnologias” e acredita que “até podem aparecer imagens de inteligência artificial”.

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Por fim, o agora deputado não-inscrito, depois de se ter afastado do Chega, afirma que é “uma pessoa que cumpre a lei” e que está “a ser crucificado na comunicação social”, depois de uma “vida inteira dentro das conformidades”, sublinhando a sua inocência.

Queixa-crime por violação do segredo de justiça

Entretanto, o advogado do deputado, José Manuel Castro, adiantou ao Observador que Miguel Arruda vai apresentar queixa-crime por violação do segredo de justiça neste caso. “São várias as violações ao segredo de justiça”, referiu.

Segundo o mandatário do agora deputado não-inscrito, a queixa será contra várias entidades e essa seleção ainda está a ser efetuada, devendo ser apresentada na justiça, previsivelmente, apenas na próxima semana.

(artigo atualizado às 23h30)