Três pontos. Era esta a curta margem que separava Portugal de um sonho cada vez mais real antes da segunda jornada do Grupo III: passar a main round e entrar pela primeira vez nos top 8 de um Campeonato do Mundo. A tarefa não era fácil, afinal os Heróis do Mar tinham pela frente a sempre difícil Espanha, mas a derrota dos espanhóis contra a Noruega (25-24) e a reconstrução feita por nuestros hermanos nos últimos tempos deixavam antever um cenário positivo. Para além disso, a Seleção portuguesa voltou a mostrar frente à Suécia que tem um grande coletivo (37-37).

O mundo chama-lhes loucos, mas eles só querem sonhar: Portugal empata com a Suécia em jogo emotivo e segura primeiro lugar

Para este Mundial, o selecionador espanhol Jordi Ribeira decidiu lançar alguns jovens que alcançaram grandes resultados nas equipas de formação do país, como é o caso de Ian Barrufet, Petar Cikusa ou Javi Rodríguez. O início até foi positivo, os hispanos confirmaram o favoritismo contra Chile (31-22) e Japão (39-20), mas ficaram aquém contra Suécia (29-29) e Noruega, não conseguindo mais do que um ponto nesses embates.

“Quartos de final? Está mais perto, mas ainda não está. Não vamos pensar muito nos outros, mas em continuar a pensar em nós próprios e ver o que podemos melhorar ainda mais. Vamos estar concentrados nisso e, por isso, é preciso fazer um esforço adicional para não perder energia com coisas inúteis. Suécia? Jogámos de igual para igual, a ver onde podíamos criar mais instabilidade na defesa deles e perceber os detalhes que tínhamos que executar para não ter problemas. Foi um ponto precioso, porque estamos a falar de jogar contra os melhores atletas do mundo e nós equiparámo-nos a eles”, analisou Paulo Pereira depois da partida de quarta-feira.

Portugal tinha pela frente uma dura tarefa, já que somava sete derrotas nos sete jogos oficiais disputados com Espanha até aqui. Com Miguel Laranjeiro, presidente da federação, e Pedro Dias, secretário de Estado do Desporto, a assistir, Paulo Pereira apostou de início no sete composto por Gustavo Capdeville, Leonel Fernandes, Martim Costa, Rui Silva, Kiko Costa, António Areia e Luís Frade. Os primeiros minutos foram pautados pelo equilíbrio, que nem a exclusão de Barrufet alterou. Ainda assim, os Heróis do Mar acusaram algum nervosismo e, depois de Agustín Casado ter feito o 4-2, Victor Iturriza foi excluído (7′).

Foi em inferioridade numérica que Portugal voltou a empatar a partida, com António Areia a reduzir dos sete metros e Leonel a marcar depois de os hispanos desperdiçarem o seu ataque (4-4). Depois de Sergey Hernández impedir novo golo do ponta do FC Porto, Capdeville apareceu pela primeira vez na partida e Leonel redimiu-se, colocando a turma portuguesa pela primeira vez em vantagem (6-7). Todavia, Portugal voltou a não conseguir aproveitar a superioridade numérica e valeu o recém-entrado Diogo Rêma a segurar o empate (8-8).

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Os espanhóis voltaram a conseguir dois golos de vantagem, o que levou Pereira a parar o jogo (10-8). A partida continuou na senda negativa e Portugal registou o pior período neste Mundial, com quatro golos de desvantagem e mais de seis minutos sem marcar. Salvador Salvador entrou para reverter essa tendência e recolou os Heróis do Mar a dois golos dos hispanos que, nessa fase, atravessavam a quarta exclusão (13-11). Portugal estava de volta à partida e, depois de Rêma fazer mais uma defesa, Rui Silva reduziu para 13-12 e Salvador fez novo golo (14-14). Jordi Ribera parou o jogo e Espanha saiu para o intervalo em vantagem, depois de Ferran Solé marcar no último segundo (16-15).

O início da segunda metade voltou a ser mau para Portugal que, depois de Rui Silva perder o primeiro ataque por passos, esteve a perder por três (18-15). Os Heróis do Mar relançaram a partida com Kiko em grande plano (19-18) e aproveitaram a exclusão de Casado para empatarem (19-19) e passarem para a frente, com mais um golo do jovem prodígio (19-20). Os espanhóis pediram de imediato o seu time-out, com mais de 20 minutos pela frente, mas Kiko fez o seu quinto golo e colocou os lusitanos com dois golos de avanço (19-21). Os hispanos superaram os oito minutos sem marcarem e nem a segunda exclusão de Iturriza mudou o rumo dos acontecimentos, com o 26 a fazer o 19-22.

Os irmãos Costa continuaram a espalhar magia em Oslo e, depois de um grande passe de Kiko, Martim concluiu com classe e manteve a vantagem nos três golos (21-24). A ansiedade começava a pairar sobre os jogadores espanhóis, que conseguiram reduzir depois de Fábio Magalhães ter sido excluído (23-24), mas Portugal entrou para os últimos dez minutos com a vantagem nos três golos, fruto de um golo de Rui Silva (23-26). Em inferioridade numérica, os espanhóis perderam a bola no ataque e Iturriza e Salvador dilataram a vantagem, com mais uma grande defesa de Rêma pelo meio (23-28).

Portugal chegou aos 30 golos a cinco minutos do fim através de um livre de sete metros de Areia e a vitória parecia cada vez mais real (24-30). O jogo entrou num ritmo de loucos e a ser disputado a um nível altíssimo e com marcações por todo o campo, e Espanha reduziu para 28-31 antes de (57′). Foi nessa altura que Paulo Pereira voltou a parar o jogo e Rêma, no alto dos seus 20 anos, voltou a transcender-se na baliza, garantindo o triunfo com mais uma defesa de alto nível. No ataque, Iturriza não desperdiçou e carimbou a presença inédita nos quartos de final do Mundial e um triunfo histórico frente a Espanha (29-35). Segue-se o Chile, num jogo que deverá sentenciar a luta pelo primeiro lugar e colocar a Alemanha na rota dos Heróis do Mar.