A Dinamarca anunciou esta segunda-feira um aumento de cerca de dois mil milhões de dólares (14,6 mil milhões de coroas dinamarquesas) em investimento militar no Ártico, face ao interesse manifestado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em adquirir o controlo da Gronelândia.
O reforço da despesa em defesa para aquela região semiautónoma dinamarquesa surge após mais de uma década de cortes nos gastos militares.
Segundo a Reuters, no ano passado, a Dinamarca afetou 190 mil milhões de coroas dinamarquesas (26 mil milhões de dólares) às suas forças armadas por um período de 10 anos, parte das quais foram agora canalizadas para o Ártico.
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, explicou que o novo programa financeiro anunciado prevê três novas embarcações da marinha para o Ártico, o aumento do número de drones de vigilância de longo alcance e uma maior vigilância via satélite.
Atualmente, a Dinamarca tem apenas quatro navios de inspeção, um avião de vigilância e 12 patrulhas de trenó puxados por cães, numa área quatro vezes maior do que França.
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Ainda antes de tomar posse no passado dia 20 de janeiro, Donald Trump assegurou que a Gronelândia é vital para a segurança dos EUA. Por isso, avisou que a Dinamarca tem de abdicar do controlo da ilha ártica, considerada de importância estratégica para os interesses norte-americanos, colocando em alerta as instâncias europeias para a defesa daquele território.
Já este mês, o filho do Presidente norte-americano, Donald Trump Jr., esteve presente na Gronelândia, numa demonstração de interesse dos EUA no território dinamarquês.
Dinamarca “assustada” depois de chamada “acesa” com Donald Trump sobre compra da Gronelândia
A pressão intensificou-se depois de uma chamada entre Trump e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, na semana passada, quando os dois falaram ao telefone.
O Presidente dos EUA, revelou o jornal Financial Times, terá sido “confrontacional e agressivo”, elevando os receios de que as suas ameaças de querer controlar a Gronelândia são para levar a sério. “Foi uma conversa muito dura. Ele ameaçou medidas específicas contra a Dinamarca como tarifas que os visam diretamente”, relatou um antigo oficial dinamarquês. Ainda antes de tomar posse, o Presidente foi mais longe e recusou excluir a possibilidade de utilizar força militar.
No entanto, o gabinete de Mette Frederiksen já veio garantir publicamente que a Gronelândia não estava à venda.