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Rei Juan Carlos, Trudeau e Marcelo reúnem-se em Lisboa para funeral de Aga Khan

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Membros da realeza e chefes de estado internacionais estiveram presentes nas cerimónias fúnebres que aconteceram na manhã deste sábado, 8 de fevereiro, no Centro Ismaili de Lisboa.

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Exilado nos Emirados Árabes Unidos, o rei emérito de Espanha, Juan Carlos, foi um dos membros de realezas internacionais que voaram até Lisboa para prestar uma última homenagem ao príncipe Aga Khan IV, que morreu na última terça-feira, 4 de fevereiro, aos 88 anos. O funeral foi realizado no Centro Ismaili de Lisboa na manhã deste sábado, 8 de fevereiro, num evento privado. Participaram também representantes portugueses, como D. Duarte, o duque de Bragança, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel, e o presidente da câmara de Lisboa Carlos Moedas. Entre os chefes de estado internacionais, destaca-se a presença do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau.

Na primeira fila da cerimónia estavam também os membros da família, como o príncipe Rahim Aga Khan, o sucessor, que a 11 de fevereiro será entronizado 50º imã hereditário dos muçulmanos Shia Ismaili, assim como os outros dois filhos, Hussain e Aly Muhammad e o irmão de Aga Khan IV, o príncipe Amyn Muhammad. A cerimónia seguiu a tradição Ismaili, com a leitura de versos do Corão e a apresentação de condolências. O corpo de Aga Khan IV segue agora para o Egito, onde será sepultado no mausoléu da família, na cidade de Aswan, numa cerimónia fúnebre privada no próximo domingo, 9 de fevereiro.

“Apoiou várias obras sociais, está a construir uma Academia, e portanto na educação, na saúde, na seguridade social, a comunidade ismailita, por causa da influência do príncipe Aga Khan, teve nos últimos dez anos, desde 2015 e 2016, um peso crescente na nossa sociedade”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, à porta do Centro Ismaili. Ao falar com os jornalistas à entrada da cerimónia, Paulo Rangel destacou que “o príncipe Aga Khan IV foi sem dúvida um grande ator na paz, no diálogo inter-religioso e na ajuda ao desenvolvimento, na ajuda humanitária de tantas regiões do globo onde há profundas dificuldades, às vezes até de sobrevivência, portanto essa sua compaixão, essa sua dedicação à causa da humanidade tem de ser, obviamente, sublinhada”.

O príncipe Aga Khan IV morreu na última terça-feira, 4 de fevereiro, aos 88 anos. Shah Karim al Hussaini, príncipe Aga Khan, 49.º imã hereditário dos muçulmanos ismaelitas, nasceu na Suíça, cresceu e estudou no Quénia e nos Estados Unidos, e tem ligações ao Canadá, Irão e França, e nos últimos anos também a Portugal, com a escolha de Lisboa para sede mundial da comunidade ismailita, “Imamat Ismaili”, tornando-a uma referência para os cerca de 15 milhões de muçulmanos da minoria xiita.

Foto de arquivo datada de 2 de maio de 2019 do Príncipe Aga Khan, fundador e presidente da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN) e líder dos muçulmanos xiitas ismailis, que hoje morreu com a idade de 88 anos, Lisboa, 4 de fevereiro de 2025.  ESTELA SILVA/LUSA

▲ Aga Khan IV morreu na terça-feira, 4 de fevereiro, aos 88 anos

ESTELA SILVA/LUSA

Mausoléu de Aga Khan é um dos monumentos mais visitados no Egito

O mausoléu de Aga Khan, em Aswan, foi construído em 1957 para receber o corpo de Aga Khan III. Entretanto, o monumento só ficou pronto mais de um ano depois da morte do imã. A construção ficou sob a responsabilidade da viúva, Begum Om Habibeh Aga Khan, que contratou um arquiteto egípcio para projetar o mausoléu. “Inspirei-me na Mesquita Giushi. É da época do império Fatimid, e a parte que mais me inspirou foi o Mihrab (o nicho na parede que indica a direção de Meca, para onde se deve virar ao rezar)”, disse, em entrevista de 1992 à Al-Ahram Weekly. “Algo que as pessoas talvez não saibam é que o monumento foi todo feito à mão. A maior parte do mármore foi esculpido de uma única peça. A única coisa que veio de fora foi o mármore Carrara, um tipo muito especial e puro. O resto é granito e arenito de Aswan”. O corpo de Aga Khan III foi levado para o mausoléu em 1959, pelas mãos do neto, que assumiu o cargo de imã aos 20 anos. Centenas de Ismailis acompanharam a cerimónia de sepultamento. Agora o mesmo ritual repete-se, com o corpo de Aga Khan IV a ser sepultado no mesmo mausoléu do seu antecessor.

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