Sábado foi um dia para esquecer. A primeira camisola amarela envergada por João Almeida na nova temporada acabou por trazer ao de cima algo que não é novo e tem ficado patente nos últimos anos — sem Tadej Pogacar na estrada, diga-se —: a UAE Team Emirates-XRG voltou a pecar na estratégia e perdeu a liderança. Quem aproveitou foi Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious) que, para lá de somar o segundo triunfo nesta edição, deu um passo importante rumo à conquista da Volta à Comunidade Valenciana, entrando para a última etapa com menos 18 segundos que o português.

O dia sim de Buitrago e um dia para esquecer da Emirates: colombiano aproveita erro de Almeida e assalta liderança em Valência

“Foi um pouco estranho. No final, simplesmente não estava numa boa posição. O final era perigoso e a superfície da estrada também não era das melhores. Simplesmente entrei no último quilómetro muito atrás e não consegui anular a diferença. Certamente não foi um dia perfeito. As bonificações não tiveram importância no final. Estou feliz com a primeira prova [da época]. No geral foi positivo. Ainda temos mais um dia pela frente, mas depois de hoje [sábado], sinceramente não estou muito feliz”, referiu o ciclista de A dos Francos ao Eurosport.

“Não consigo descrever o quão feliz estou. Hoje [sábado] estava focado, principalmente, em ganhar segundos nas bonificações para chegar à camisola amarela e, para ser honesto, não estava nos planos ganhar. Achámos que era um dia para os sprinters mas, no final, estava na frente com o Pello [Bilbao] e decidimos que valia a pena tentar. Acelerei, dei tudo de mim e fiz acontecer. É incrível. Pensávamos que seria difícil recuperar segundos na classificação geral e, em vez disso, conquistámos a vitória da etapa e a camisola de líder”, disse, por sua vez, o novo líder.

Ao contrário dos últimos anos, a tradicional chegada a Valência teve uma mudança na parte final do percurso, que começou 104 quilómetros antes em Alfafar: a organização da prova colocou uma pequena descida e a meta ficou uns metros mais abaixo que a chegada, o que favorecia ainda uma chegada ao sprint. Mathias Vacek (Lidl-Trek) líder nos dois primeiros dias, não alinhou à partida, assim como Kaden Groves (Alpecin-Deceuninck), com a primeira fase da etapa a ficar marcada pela fuga de sete corredores. Já na fase final, o pelotão começou a perder elementos nos últimos 35 quilómetros, devido a uma aceleração da Lidl-Trek.

A corrida voltou a estabilizar e a fuga foi alcançada nos seis quilómetros finais e a discussão acabou por ser mesmo ao sprint. O lançamento da discussão aconteceu a 200 metros do fim, com a Lidl-Trek a ligar o turbo e a permitir a vitória de Jonathan Milan em Valência. Seguiram-se Jake Stewart (Israel-Premier Tech) e Giovanni Lonardi (Polti VisitMalta) completaram o pódio. Buitrago e Almeida chegaram, como previsto, no pelotão, pelo que o colombiano garantiu a conquista da primeira prova por etapas da sua carreira, depois de ter sido segundo em 2024. Santiago é o segundo ciclista da Colômbia a vencer a Volta à Comunidade Valenciana, depois de Nairo Quintano, em 2017.

No que concerne ao português, João somou o primeiro pódio da temporada antes de regressar a Portugal para competir na clássica da Figueira da Foz e na Volta ao Algarve, provas que falhou o ano passado por ter ficado doente. As corridas nacionais acontecem já na próxima semana.