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Vão ser nomeadas duas equipas de alto nível, do lado norte-americano e russo, para negociar um fim para a guerra na Ucrânia. Este é o resultado mais concreto e imediato do encontro histórico em Riade, na Arábia Saudita, que nesta terça-feira sentou à mesma mesa o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Mas as duas potências concordaram, também, trabalhar para sanar os fatores “irritantes” que há muito perturbam a relação entre ambos.

Mais do que ouvidos, sentimos que fomos escutados“, afirmou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros. Embora algumas fontes tenham salientado o tom positivo das negociações, outras salientaram que continuam a ser evidentes “muitas divergências”. São nove as principais novidades (conhecidas), que saíram da reunião em Riade, que começou às primeiras horas da manhã e terminou pouco depois de uma pausa para almoço.

1. Vão ser nomeadas equipas para tentar acabar com guerra na Ucrânia

Com a missão de preparar o fim da guerra na Ucrânia, vão ser nomeadas equipas de alto nível, revelou Tammy Bruce, porta-voz da Casa Branca, logo após o final do encontro.

Estas duas equipas vão “trabalhar num roteiro para acabar com o conflito na Ucrânia tão rapidamente quando possível, de uma forma que seja duradoura, sustentável e aceitável para todas as partes”. Tal “roteiro” poderá, depois, ser apreciado pelos líderes políticos das potências envolvidas.

Do lado da Rússia, o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, indicou que os EUA vão nomear diplomatas para colocar na Rússia – e a Rússia nomear diplomatas para os EUA. Essas nomeações vão ocorrer o mais rapidamente possível, num esforço de restabelecimento das relações bilaterais.

2. EUA e Rússia vão sanar “irritantes” e procurar oportunidades económicas “históricas”

O mesmo ministro russo, Sergei Lavrov, considerou que a “conversa com os EUA [nesta terça-feira] foi muito útil”. “Mais do que ouvidos, sentimos que fomos escutados“, afirmou o ministro, considerando que após este encontro “o lado norte-americano começou a compreender melhor a posição [da Rússia]”.

Já antes, os EUA tinham dito que as duas potências iam “tentar solucionar os fatores irritantes que existem na relação bilateral, com o objetivo de dar os passos necessários para normalizar a operação das missões diplomáticas”, indica o Departamento de Estado dos EUA.

Além disso, os EUA e a Rússia vão, ainda, procurar oportunidades de “colaboração futura em matérias de interesse geopolítico comum, bem como oportunidades económicas históricas que irão surgir após o fim do conflito na Ucrânia”.

O Presidente Trump quer parar com a matança; os EUA querem a paz e [Trump] está a usar a sua força no mundo para unir os países. O Presidente Trump é o único líder no mundo que pode fazer com que a Ucrânia e a Rússia cheguem a um consenso”, afirmou a porta-voz da administração Trump.

3. Poucos avanços (conhecidos) sobre reunião entre Putin e Trump. Mas não será já

O principal conselheiro de política externa da Rússia, Yuri Ushakov, também considerou que a reunião em Riade “correu bem”, acrescentando que houve “conversas importantes sobre todos os temas”.

O responsável acrescentou que um dos temas analisados foi a possibilidade de um encontro entre Trump e Putin, que poderá acontecer nos próximos tempos (mas não deverá ser na próxima semana, indicou a mesma fonte).

Trump já tinha dito, há vários dias, que “provavelmente” se iria encontrar com o homólogo russo, sendo a Arábia Saudita um palco possível para essa reunião que seria histórica.

4. Rússia quer que NATO volte atrás em promessa feita em 2008

A entrada da Ucrânia na NATO é algo “inaceitável” para a Rússia, reiterou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Kremlin. A organização tem, por isso, de voltar atrás numa promessa feita a Kiev em 2008.

Nesse ano, numa cimeira em Bucareste, a NATO declarou que tanto a Ucrânia como a Geórgia iriam, eventualmente, entrar na organização – embora tenha sido uma declaração que não foi acompanhada de um plano concreto de como isso poderia acontecer na prática.

É esta promessa que tem de ser explicitamente retirada, diz a Rússia, que diz que não ficará satisfeita se apenas for dada uma garantia pelos estados-membros da NATO de que não irão aceitar que a Ucrânia entre no grupo.

5. “Se for necessário”, Putin está disponível para falar diretamente com Zelensky

Não é uma ideia nova, mas durante a reunião o porta-voz do Kremlin reiterou que Vladimir Putin está disponível para conversar com Volodymyr Zelensky “se for necessário”.

Dmitry Peskov afirmou que Putin já “disse várias vezes que está disponível para falar sobre a paz”. Porém, as “questões de segurança mais amplas” de Moscovo devem ser resolvidas primeiro, acrescentou Peskov.

“O próprio Putin disse que estaria pronto para negociar com Zelensky se necessário, mas a base jurídica dos acordos precisa de ser discutida, considerando a realidade de que a legitimidade de Zelensky pode ser questionada”, acrescentou o porta-voz, numa presumível referência ao facto de terem sido adiadas as eleições presidenciais na Ucrânia.

6. Rússia diz que Ucrânia tem “direito, como país soberano” a entrar na UE

A Rússia considera que a Ucrânia tem “direito, como país soberano” a entrar na União Europeia – uma posição diferente daquela que é a opinião do Kremlin sobre uma hipotética adesão à NATO. Esta foi outra mensagem transmitida por Peskov, que assim aproveitou o vazio noticioso que se instalou nas horas enquanto decorria a negociação em Riade (à porta fechada).

A adesão da Ucrânia à União Europeia tem sido apontada como um cenário possível – uma espécie de alternativa à adesão à NATO, que a nova administração dos EUA não vê com bons olhos.

De acordo com Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, a Rússia nunca se irá intrometer numa possível entrada da Ucrânia na União Europeia – já que, em contraste com a NATO, esta não é uma aliança de natureza militar.

7. “É preciso gerir expectativas”, afirmou líder do fundo soberano russo

Kirill Dmitriev, líder do fundo soberano da Rússia, apresentou um relato um pouco menos animador da reunião onde esteve presente. A negociação iniciada nesta terça-feira, em Riade, deixou claro que ainda há “um longo caminho pela frente”, afirmou o responsável que fez parte da carreira no gigante bancário norte-americano Goldman Sachs.

O responsável salientou, à saída da reunião, que ainda existem “muitas divergências” e nesta fase “é preciso gerir as expectativas“, acrescentou.

8. EUA garantem que a Europa não está a ser marginalizada

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, recusou a ideia de que a Europa esteja a ser colocada de parte na negociação para acabar com a guerra na Ucrânia. Todos os envolvidos no conflito na Ucrânia devem concordar com a solução, sublinhou.

Rubio acrescentou que o encontro com as autoridades russas em Riade foi o primeiro passo de uma “longa e difícil viagem”, com o objetivo de promover um fim justo e duradouro para a guerra na Ucrânia. Em algum momento, a UE terá de estar envolvida neste processo, assumindo que ele continua a evoluir favoravelmente, sublinhou.

Horas antes, a presidente da Comissão Europeia tinha relembrado que, “financeira e militarmente”, a UE foi quem mais ajudou a Ucrânia. Esta foi uma mensagem transmitida por Ursula Von der Leyen após um encontro com o enviado especial dos EUA General Keith Kellogg.

9. Zelensky adia visita à Arábia Saudita. “Negociações não deveriam estar a ter lugar nas nossas costas”

O Presidente da Ucrânia adiou a viagem que estava prevista, à Arábia Saudita, após esse país ter sido palco de negociações entre os EUA e a Rússia.

Numa clara demonstração de apreensão ao relação ao encontro desta terça-feira, Volodymyr Zelensky, que esteve em Ancara e se encontrou com o homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que afinal só vai visitar Riade em março. “As negociações não deveriam estar a ter lugar nas nossas costas”, afirmou o Presidente ucraniano.