Na noite de terça-feira, mais de uma centena e meia de golfinhos ficaram encalhados numa praia australiana, na costa oeste da Tasmânia. A equipa do Departamento de Recursos Naturais e Ambiente da Tasmânia confirmou a presença de 157 golfinhos da espécie conhecida como falsa-orca.

Ao longo desta quarta-feira, os especialistas tentaram devolver os golfinhos ao mar, mas enfrentaram várias dificuldades. A localização remota da ilha, de difícil acesso, aliada aos ventos fortes e à falta de equipamentos adequados, tornou a operação ainda mais complexa.

Além disso, o peso dos golfinhos foi também um obstáculo, refere Brendon Clark, especialista em vida selvagem, à emissora alemã Deutsche Welle. Esta espécie de golfinho, em perigo de extinção, pode atingir até 6,1 metros de comprimento e pesar até 1.360 kg, com uma aparência semelhante à das orcas, descreve a Reuters.

Após várias tentativas falhadas de devolver os golfinhos ao mar, apenas 90 dos mamíferos ainda estavam vivos na tarde desta quarta-feira, mas muitos apresentavam sinais de stress e desgaste. Posto isto, segundo Brendon Clark, a eutanásia foi considerada como uma alternativa necessária caso os esforços de resgate não tivessem sucesso. “Como em qualquer encalhe, a eutanásia é uma opção para minimizar o sofrimento, e temos veterinários no local para ajudar a tomar decisões informadas, caso isso seja considerado necessário”.

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Mais tarde, Shelley Graham, controladora de incidentes, confirmou que “com o auxílio de veterinários especializados” foi tomada a decisão de “proceder à eutanásia dos 90 golfinhos”.

Nesta quinta-feira, o Departamento de Recursos Naturais e Ambiente da Tasmânia assegurou que as operações de eutanásia foram concluídas. Shelley Graham destacou que a segurança e o bem-estar dos animais e da equipa foram a prioridade durante toda a operação. “Resultados como este têm um impacto físico e mental na nossa equipa. Estou extremamente orgulhosa do esforço excecional de todos para garantir o melhor desfecho possível em termos de bem-estar animal”, afirmou.

A veterinária especialista em vida selvagem, Sarah Michael, acompanhou de perto o procedimento e garantiu que foi conduzido de forma humanitária, respeitando os protocolos estabelecidos. Segundo a especialista, a operação seguiu as melhores práticas e foi a escolha mais adequada para lidar com uma situação tão complexa. “Observei toda a operação de eutanásia e estou confiante de que foi conduzida humanamente, de acordo com as nossas melhores práticas. Além disso, foi a decisão certa para esta situação complexa”, destacou, salientando que esta foi a opção mais ética diante das circunstâncias.

Os encalhes de falsas-orcas são relativamente comuns na Austrália. Estes animais vivem em grupos de mais de 50 indivíduos e possuem laços sociais extremamente fortes. Quando um membro do grupo se desorienta e segue em direção à costa, os restantes tendem a acompanhá-lo, refere a France 24. No entanto, foi a primeira vez em 50 anos que se registou um encalhe nesta zona desta espécie.

A costa da Tasmânia tem um histórico de ocorrências semelhantes. Segundo a BBC, cerca de 470 baleias-piloto ficaram encalhadas mais a sul, em Macquarie Harbour, em 2020, o que resultou na morte de aproximadamente 350 animais. Outro evento semelhante ocorreu em 2022, quando 200 baleias-piloto ficaram presas na mesma zona.

Texto editado por Dulce Neto