Na noite de terça-feira, mais de uma centena e meia de golfinhos ficaram encalhados numa praia australiana, na costa oeste da Tasmânia. A equipa do Departamento de Recursos Naturais e Ambiente da Tasmânia confirmou a presença de 157 golfinhos da espécie conhecida como falsa-orca.
Ao longo desta quarta-feira, os especialistas tentaram devolver os golfinhos ao mar, mas enfrentaram várias dificuldades. A localização remota da ilha, de difícil acesso, aliada aos ventos fortes e à falta de equipamentos adequados, tornou a operação ainda mais complexa.
Além disso, o peso dos golfinhos foi também um obstáculo, refere Brendon Clark, especialista em vida selvagem, à emissora alemã Deutsche Welle. Esta espécie de golfinho, em perigo de extinção, pode atingir até 6,1 metros de comprimento e pesar até 1.360 kg, com uma aparência semelhante à das orcas, descreve a Reuters.
More than 150 false killer whales have been stranded on an isolated beach in the Australian state of Tasmania, with rescue crews trying to save the majority of the large dolphins that survived the ordeal pic.twitter.com/LunAsER6P4
— Reuters (@Reuters) February 19, 2025
Após várias tentativas falhadas de devolver os golfinhos ao mar, apenas 90 dos mamíferos ainda estavam vivos na tarde desta quarta-feira, mas muitos apresentavam sinais de stress e desgaste. Posto isto, segundo Brendon Clark, a eutanásia foi considerada como uma alternativa necessária caso os esforços de resgate não tivessem sucesso. “Como em qualquer encalhe, a eutanásia é uma opção para minimizar o sofrimento, e temos veterinários no local para ajudar a tomar decisões informadas, caso isso seja considerado necessário”.
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Mais tarde, Shelley Graham, controladora de incidentes, confirmou que “com o auxílio de veterinários especializados” foi tomada a decisão de “proceder à eutanásia dos 90 golfinhos”.
Nesta quinta-feira, o Departamento de Recursos Naturais e Ambiente da Tasmânia assegurou que as operações de eutanásia foram concluídas. Shelley Graham destacou que a segurança e o bem-estar dos animais e da equipa foram a prioridade durante toda a operação. “Resultados como este têm um impacto físico e mental na nossa equipa. Estou extremamente orgulhosa do esforço excecional de todos para garantir o melhor desfecho possível em termos de bem-estar animal”, afirmou.
A veterinária especialista em vida selvagem, Sarah Michael, acompanhou de perto o procedimento e garantiu que foi conduzido de forma humanitária, respeitando os protocolos estabelecidos. Segundo a especialista, a operação seguiu as melhores práticas e foi a escolha mais adequada para lidar com uma situação tão complexa. “Observei toda a operação de eutanásia e estou confiante de que foi conduzida humanamente, de acordo com as nossas melhores práticas. Além disso, foi a decisão certa para esta situação complexa”, destacou, salientando que esta foi a opção mais ética diante das circunstâncias.
Os encalhes de falsas-orcas são relativamente comuns na Austrália. Estes animais vivem em grupos de mais de 50 indivíduos e possuem laços sociais extremamente fortes. Quando um membro do grupo se desorienta e segue em direção à costa, os restantes tendem a acompanhá-lo, refere a France 24. No entanto, foi a primeira vez em 50 anos que se registou um encalhe nesta zona desta espécie.
A costa da Tasmânia tem um histórico de ocorrências semelhantes. Segundo a BBC, cerca de 470 baleias-piloto ficaram encalhadas mais a sul, em Macquarie Harbour, em 2020, o que resultou na morte de aproximadamente 350 animais. Outro evento semelhante ocorreu em 2022, quando 200 baleias-piloto ficaram presas na mesma zona.
Texto editado por Dulce Neto