Primeiro foram os incêndios, a devastar milhares de hectares em várias zonas da Califórnia, agora Los Angeles enfrenta os perigos de uma nova catástrofe natural: os deslizamentos de terras lentos, que preocupam por estarem a acelerar repentinamente na zona de Palos Verdes. Mais concretamente na Portuguese Bend Reserve — uma reserva natural batizada com a referência a Portugal devido às atividades dos baleeiros dos Açores, que levaram a caça à baleia de costa para esta zona do território norte-americano no século XIX.

A análise de dados de um radar aéreo da NASA mostra que a área afetada pelos deslizamentos de terra ativos na Península de Palos Verdes, com décadas de existência, se expandiu com maior rapidez nos últimos anos e acelerou ainda mais nos últimos meses.

E mais do que dados, há relatos desde o verão de 2023 que dão conta do desmoronamento de edifícios na zona. Nas casas que se mantêm de pé há danos estruturais nas casas que revelam o movimento da terra por baixo das construções. Nas ruas há fissuras a denunciar o que se passa no subsolo e até linhas elétricas a ceder à força da terra.

Segundo a agência espacial norte-americana, no período de quatro semanas, no outono de 2024, a terra na área residencial deslizou em direção ao oceano em até 10 centímetros por semana. De uma perspetiva global, desde 2007, ano em que o fenómeno começou a ser monitorizado e mapeado, os deslizamentos de terra deslocaram-se para oeste, quase duplicando a sua área.

Incêndios em Los Angeles totalmente controlados três semanas depois

Já estão, aliás, a ser tomadas medidas de segurança em relação ao deslizamento de terras ativo, que pode provocar queda de pedras e colocar pessoas em risco de vida. No site oficial do Rancho de Palos Verdes informa-se que foram fechados vários trilhos da Portugueses Bend Reserve “devido ao potencial de condições perigosas” para a prática de caminhadas.

Segundo o New York Times, esta massa de deslizamentos foi reativada em 1956 depois de a construção de uma estrada ter desestabilizado a encosta outrora adormecida. Durante décadas, a encosta deslizou apenas alguns centímetros por ano, mas as fortes chuvas em 2023 e no início de 2024 aceleraram esse movimento, que foi agora reportado pela NASA.

A alteração das condições no terreno, levaram o governador da Califórnia, Gavin Newsom, a declarar o estado de emergência, citando “condições de extremo perigo para a segurança de pessoas e propriedades”. As autoridades norte-americanas admitem na nota publicada que não conseguem “prever imediatamente o impacto que a aceleração do movimento de terras poderá ter nas residências e empresas da zona”.

O governo norte-americano disponibilizou um programa de 42 milhões de dólares para ajudar os proprietários a venderem e a mudarem voluntariamente de local, no entanto, muitos residentes que não se qualifiquem para tal apoio também não o conseguiram obter junto das suas seguradoras, já que a grande maioria das apólices de seguro de habitação não cobre danos provocados por deslizamentos de terras.