Miguel Poiares Maduro vai ser o coordenador dos “estados gerais” de Luís Marques Mendes. O antigo ministro da Adjunto e do Desenvolvimento Regional de Pedro Passos Coelho junta-se assim à equipa do conselheiro de Estado e candidato às próximas eleições presidenciais, cuja campanha será dirigida pelo antigo deputado social-democrata Duarte Marques e que terá também Nunes Liberato, ex-chefe da Casa Civil de Aníbal Cavaco Silva.
A informação foi inicialmente avançada pela RTP e confirmada pelo próprio ao Observador. “Acho estas eleições presidenciais particularmente importantes atendendo quer ao contexto externo de enorme incerteza e insegurança quer ao contexto político interno fragmentado e polarizado. Acho que esse contexto exige um Presidente da República que junte uma forte experiência política com uma imagem e mensagem de reforço da moderação e integridade na política”, nota Miguel Poiares Maduro.
“Aceitei Luís Marques Mendes neste esforço de mobilização da sociedade civil num conjunto de eventos destinados a refletir sobre temas chave para o futuro do país. Sendo claro que a Presidência não tem poderes executivos nesta matéria e não lhe compete desenvolver estas políticas públicas tem sim uma responsabilidade de alertar para a importância destes temas e promover uma conversação nacional sobre eles, nomeadamente para que o debate público ocorra e sejam bem informado e para que, sempre que possível, se encontrem pontos de entendimento”, acrescenta ao Observador o antigo ministro.
Na prática, estes estados-gerais de Luís Marques Mendes consistirão numa séria de debates e inicialmente sobre 12 temas de regime com o título “Causas da Presidência”. No final destes encontros, que terão lugar entre março e julho, estará prevista uma convenção que servirá como primeiro grande comício de Marques Mendes enquanto candidato presidencial.
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O antigo líder do PSD e agora ex-comentador político elencou 14 causas que vão servir de mote a estes “estados-gerais”. São eles: o combate à pobreza e exclusão; a ambição económica; a justiça e combate à corrupção; a imigração e natalidade: o ambiente e a sustentabilidade; a habitação; o futuro do SNS; a coesão territorial; o combate à violência doméstica; a política externa; segurança e defesa; os desafios do Mar; a educação e a cultura; e a concertação social.
Cada uma destas áreas em debate terá um coordenador, o qual promoverá a escolha dos demais participantes, dinamizará as discussões e relatará, no final, as respetivas conclusões, pelo que é provável que outras figuras do universo social-democrata (e não só) se venham a juntar a esta pré-campanha de Luís Marques Mendes. De resto, e segundo apurou o Observador, também Miguel Pina Martins, chairman da Science4you, está a colaborar de perto na campanha do antigo presidente do PSD.
Marques Mendes procura assim sinalizar as prioridades que quer levar para o Palácio de Belém caso consiga vencer as próximas presidenciais. Mesmo tendo defendido claramente, na apresentação da sua candidatura, uma separação de águas entre os dois poderes (“O Presidente não governa nem legisla”), o social-democrata quer assumir um perfil de proatividade na persecução de uma agenda política. “O Presidente não é uma entidade simbólica. Deve ter causas e intervir ativamente na sua defesa”, sinalizou Marques Mendes na mesma ocasião.
Estes “estados-gerais” com que o antigo líder social-democrata quer marcar a diferença para os seus adversários neta corrida obedecem, precisamente, a este objetivo: Luís Marques Mendes quer partir para a campanha presidencial afirmando-se como um candidato com ideias e causas muito claras, capaz de ajudar a construir pontes, e de contribuir para a resolução de problemas, impasses e bloqueios.