A ideia de que um clube de futebol depende dos resultados desportivos, tanto a nível institucional como financeiro, não é apenas uma ideia — é uma certeza. E a ausência de bons resultados desportivos do Manchester United ao longo de mais de uma década está a ter consequências institucionais e financeiras. E todos sabem que essas duas dão origem a hecatombes estruturais.

A última semana, naturalmente, foi a prova de tudo isso. Depois das primeiras notícias, que davam conta de que o Manchester United tinha decidido que todas as equipas, à exceção do plantel principal, só teriam direito a sopa e sandes na cantina de Carrington, o clube confirmou que vai avançar para o despedimento de 150 a 200 pessoas. “O clube prevê que cerca de 150 a 200 postos de trabalho sejam suprimidos, após um processo de consulta com os trabalhadores. Estes postos de trabalho juntam-se aos 250 que foram igualmente suprimidos no ano passado”, podia ler-se no comunicado assinado por Omar Berrada, CEO dos red devils que acrescentava que o objetivo era “devolver o lucro ao clube”.

E Ruben Amorim, tal como sempre desde que é treinador, não fugiu a uma questão que não está diretamente relacionada com o que se passa dentro do relvado — lembrando, precisamente, que tudo tem origem no que se passa dentro do relvado. “Temos de resolver todos os problemas do clube, mas uma parte importante é como chegámos a esta situação. Tem muito que ver com a falta de sucesso da equipa de futebol, somos o motor do clube. Quero ajudar com o meu trabalho, que é ajudar a equipa, ajudar os jogadores e ter sucesso. É sempre difícil para todos. Eles veem os amigos e colegas a perder os empregos”, explicou o técnico português.

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Ora, era neste contexto que o Manchester United recebia esta quarta-feira o Ipswich Town — curiosamente, a primeira equipa que Ruben Amorim defrontou em Inglaterra, sendo que na altura não foi além de um empate. Vindos de três jornadas consecutivas sem ganhar, entre duas derrotas e um empate, os red devils apresentavam-se com Højlund como referência ofensiva, apoiado por Joshua Zirkzee e Alejandro Garnacho, sendo que Diogo Dalot e Bruno Fernandes eram ambos titulares.

O Manchester United começou praticamente a perder, com Jaden Philogene a aproveitar um desentendimento entre André Onana e Leny Yoro para ficar isolado em frente à baliza deserta e abrir o marcador nos cinco minutos iniciais (4′). Os red devils empataram à passagem dos 20 minutos, com Sam Morsy a desviar para a própria baliza depois de um canto cobrado por Bruno Fernandes na esquerda (22′), e carimbaram mesmo a reviravolta antes da meia-hora, por intermédio de De Ligt, que finalizou uma enorme confusão na área na sequência de um canto (26′)

A lei de Murphy que reina em Old Trafford, porém, voltou a aparecer. Patrick Dorgu cometeu uma falta muito dura sobre Omari Hutchinson e o árbitro da partida, depois de analisar as imagens do VAR, decidiu expulsar o dinamarquês com cartão vermelho direto. Ruben Amorim tentou dar equilíbrio à equipa ao trocar Garnacho por Mazraoui, mas o Ipswich conseguiu mesmo empatar ainda nos descontos da primeira parte, com Jaden Philogene a bisar (45+2′).

Nenhum dos treinadores mexeu ao intervalo e o Manchester United nem sequer demorou cinco minutos a recuperar a vantagem: Bruno Fernandes bateu um canto na direita e Harry Maguire, com um bom movimento na área, cabeceou para marcar (47′). Ruben Amorim voltou a fazer substituições já depois da hora de jogo, trocando Højlund por Casemiro, e assumiu completamente a ideia de que o objetivo até ao fim seria manter a dianteira do marcador mesmo em inferioridade numérica.

O Ipswich passou praticamente toda a segunda parte inserido no meio-campo contrário e à procura do empate, mas os red devils conseguiram resguardar a valiosa vantagem e travar as dezenas de investidas que foram sofrendo junto da baliza de André Onana. No fim, o Manchester United ganhou com menos um jogador e regressou às vitórias três jornadas depois, subindo ao 14.º lugar da Premier League.