O Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou esta sexta-feira que a Europa tem “algo a dizer” no atual momento de relocalização geopolítica e que ainda está a tempo de escolher o seu destino.

Naquele que é o segundo e último dia de visita oficial a Portugal, Macron, que dedicou o dia ao Porto, referiu que a Europa tem de tomar decisões para se tornar mais independente e mais competitiva.

No encerramento do fórum económico luso-francês, que decorre no Palácio da Bolsa, o chefe de Estado francês explicou que uma Europa mais independente e competitiva não significa uma Europa fechada aos outros e que duvida da mundialização.

“Uma Europa mais independente e competitiva é uma Europa que sai do seu estado de minoria geopolítica e se vê como uma verdadeira potência”, esclareceu.

Na sua opinião, a Europa tem de retomar o controlo do seu destino político, tecnológico e militar.

“Ainda podemos hoje escolher o nosso destino, mas se dissermos que é muito difícil e se deixarmos os outros escolher por nós, os vossos filhos não terão mais escolha, porque os pais decidiram não escolher a Europa”, disse.

A única responsabilidade da Europa é criar a prosperidade que permitirá financiar a educação, a saúde e melhores modelos sociais, vincou numa intervenção de cerca de 20 minutos.

Com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, a ouvir a sua intervenção, o Presidente da França salientou que a Europa aberta a “todos os ventos” acabou.

“Temos de nos proteger porque este mundo está a tornar-se mais incerto e hostil e, por isso, temos de fazer tudo”, reforçou.

Emmanuel Macron ressalvou que, nos últimos 10 anos, os aliados têm dito que a sua prioridade é, em primeiro lugar, a América, depois a China e que os europeus têm de desempenhar gradualmente um papel mais importante.

Motivo pelo qual, Macron afirmou ser necessário a Europa acordar, reagir e tomar decisões para não depender dos outros.

Na sua visão, a Europa tem de ter projetos próprios, nomeadamente soluções europeias de inteligência artificial, de defesa, de segurança.

Perante uma sala de empresários, Macron dirigiu-se àqueles dizendo-lhe que os seus investimentos são bem-vindos em França.

“Queremos mais investimento português porque partilhamos a mesma filosofia e temos uma ideia de Europa”, atirou.

Apontando a importância das relações bilaterais, o Presidente francês lembrou que, juntos, os países têm de conseguir desenvolver projetos e fazer investimentos concretos em tecnologia, energia, defesa e segurança.