Volodymyr Zelensky lançou esta terça-feira o esboço de uma proposta de tréguas entre a Ucrânia e a Rússia, ao apontar o caminho para uma paragem dos confrontos por via aérea e por via marítima.

“Estamos dispostos a trabalhar rapidamente para acabar com a guerra, e as primeiras etapas poderiam ser a libertação de prisioneiros e tréguas no céu — proibição de mísseis, drones de longo alcance, bombas sobre energia e outras infraestruturas civis — e tréguas no mar imediatamente, se a Rússia fizer o mesmo”, afirmou o Presidente ucraniano.

Numa mensagem publicada na rede social X, Zelensky manifestou a sua intenção de “avançar rapidamente para as fases seguintes e trabalhar com os EUA para chegar a um acordo final sólido”, sem deixar de vincar a importância de se consagrar uma “paz duradoura” para os ucranianos. A publicação surge dias após  o confronto público numa reunião na Sala Oval com o Presidente dos EUA e o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance.

“Gostaria de reiterar o empenhamento da Ucrânia na paz, pois nenhum de nós quer uma guerra sem fim. A Ucrânia está disposta a sentar-se à mesa das negociações o mais rapidamente possível. Ninguém deseja a paz mais do que os ucranianos. A minha equipa e eu estamos prontos para trabalhar sob a forte liderança do Presidente Trump para conseguir uma paz duradoura”, vincou.

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Em paralelo, e depois de Washington o ter acusado de não expressar gratidão, o Presidente da Ucrânia reiterou a valorização do apoio americano ao longo dos últimos três anos de guerra, depois da invasão pela Rússia no dia 24 de fevereiro de 2022: “A Ucrânia é um país que valoriza muito o que os Estados Unidos têm feito para ajudar a Ucrânia a manter a sua soberania e independência. E recordamos o momento em que as coisas mudaram quando o Presidente Trump forneceu mísseis antitanque à Ucrânia. Estamos gratos por isso”.

Sobre a reunião de sexta-feira na capital dos EUA, Zelensky admitiu que “não correu como era suposto” e que era “lamentável” que tivesse ficado marcada por um clima de hostilidade testemunhado publicamente diante dos jornalistas.

“É altura de corrigir as coisas. Gostaríamos que a cooperação e a comunicação futuras fossem construtivas”, resumiu. Acrescentou ainda que a Ucrânia está “pronta a assinar em qualquer altura e em qualquer formato conveniente” o acordo sobre o acesso americano a recursos minerais ucranianos. O acordo era para ter sido assinado na sexta-feira, mas o choque entre Trump e Vance com Zelensky acabaram por inviabilizar a assinatura.

Trump ordena congelamento de apoio militar para a Ucrânia

As palavras de Volodymyr Zelensky ocorrem também na sequência do anúncio de suspensão de ajuda dos EUA à Ucrânia, com o envio de apoio militar a ter sido travado nas últimas horas.

Nesta suspensão está incluído o envio de todo o equipamento militar americano que não está atualmente na Ucrânia, incluindo as armas que estão em trânsito, ou em armazém prontos para seguir. O Chefe de Estado norte-americano terá dado a ordem diretamente ao Secretário da Defesa, Pete Hegseth. O número exato de armas que não devem chegar ao destino não é ainda conhecido, tal como o tempo previsto para este congelamento.

Conversações com vários líderes europeus marcam dia de Zelensky

O Presidente da Ucrânia preencheu a terça-feira com conversações com diversos líderes europeus, entre os quais o futuro chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o presidente da Finlândia, Alex Stubb, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, e o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic, além do secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

“Há atualizações muito importantes da Comissão Europeia relativamente a um financiamento substancial para a defesa da Europa. Para nós, isso significa, antes de mais, defesa aérea adicional — mais sistemas, mais mísseis, capacidades adicionais para proteger as nossas cidades e aldeias, as nossas posições. Tudo isto cria uma base sólida adicional para os nossos esforços no sentido de pôr termo à guerra”, escreveu Zelensky no X.

A mensagem do Presidente ucraniano é acompanhada de um vídeo no qual garante ter dado instruções para “obter informações oficiais” junto dos EUA sobre a suspensão do envio de ajuda militar.

“As pessoas não devem ter de adivinhar. A Ucrânia e os Estados Unidos merecem um diálogo respeitoso e uma posição clara entre si. Especialmente quando se trata de proteger vidas durante uma guerra em grande escala”, afirmou.

Reconhecendo que “já houve um precedente de suspensão da ajuda“, Zelensky explicou também que a Ucrânia desenvolveu entretanto mecanismos militares e sociais para agir perante “qualquer evolução da situação”. E acrescentou: “Já não estamos em 2022. A nossa resiliência é agora mais forte. Temos os meios para nos defendermos. Mas, para nós, a manutenção de relações normais e de parceria com os Estados Unidos é essencial para pôr um fim efetivo à guerra. Nenhum de nós quer uma guerra sem fim”.