O Novo Banco fechou o exercício de 2024 com lucros de 745 milhões de euros, segundo comunicado enviado nesta quinta-feira à CMVM. Em vésperas do que poderá ser uma venda de parte do capital na bolsa de valores – ou uma venda direta, que não está excluída – o banco apresenta um aumento ligeiro nos resultados (face aos 743 milhões do ano anterior), que teria sido maior se não fosse o custo de 62,7 milhões assumido nas contas devido ao acordo para o fim do mecanismo de recapitalização pública.
Em comunicado, o banco mostra que os lucros foram suportados num aumento de cerca de 3% na margem financeira para 1.179 milhões – um indicador que representa a diferença entre aquilo que o banco paga para se financiar (depósitos, sobretudo) e os juros que cobra nos créditos que concede aos clientes. Por outro lado, as comissões ascenderam a 323 milhões de euros, um aumento de 9,1% face a 2023, o que o banco justifica com o aumento da base de clientes e “iniciativas para aumentar as receitas de comissões, principalmente na gestão de contas e meios de pagamentos.
O lucro anual teria sido maior se não tivesse sido registado um custo de quase 63 milhões associado ao encerramento (antecipado) do mecanismo de capital contingente, o acordo ao abrigo do qual o banco recebeu cerca de 3,4 mil milhões de euros em recapitalização pública, desde 2017. A desistência de vários processos em tribunal obrigou a um registo contabilístico que passou pela extinção de ativos no valor de 161,6 milhões e de passivos no valor de 98,9 milhões – o que, em termos líquidos, obrigou ao registo do custo de 63 milhões.
“O ano de 2024 foi mais um marco importante para o Novo Banco com a obtenção da notação de investment grade e com o fim do acordo do mecanismo de capitalização contingente”, afirma o banco num comunicado onde deixa clara a intenção de “explorar as oportunidades no mercado de capitais, com o objetivo último de continuar a apoiar as famílias e empresas nacionais ao longo da sua vida”.
[António Raminhos, Luís Filipe Borges e Marco Horácio são três “Homens de Uma Certa Idade” a discutir a vida “de forma sincera”. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]
A 13 de fevereiro, o Novo Banco informou que o seu acionista principal, o fundo norte-americano Lone Star, lhe deu a indicação “para iniciar um processo de oferta pública [IPO] das ações do Banco”. A oferta será trabalhada “nos próximos meses”, diz, sem especificar calendário. Porém, numa carta aos trabalhadores, o presidente do banco apontou para a possibilidade de o IPO ocorrer em junho ou em setembro.
No comunicado, o Novo Banco indica, ainda, que o conselho de administração executivo “vai propor à Assembleia Geral de Acionistas, a realizar no dia 21 de março de 2025, a distribuição de um dividendo no montante de 224,6 milhões de euros, um quarto dos quais será dividido entre a Direção-Geral do Tesouro e Finanças e o Fundo de Resolução, que em conjunto detêm 25% do capital do Novo Banco. Este é um dividendo que só pode ser pago porque foi extinguido o acordo do mecanismo de capital contingente, que impedia qualquer distribuição de dividendos.