Por vezes, o mundo dos negócios acarreta alguns riscos e nem sempre se ganha dinheiro. Que o diga o californiano Michael Mente, CEO da Revolve, que andava há muito desejoso de encontrar à venda um Mercedes-AMG One, hiperdesportivo com motor de F1 e 1063 cv que se assume como dos mais rápidos do mercado, tanto em estrada como em pista. E, de repente, eis que surge Jean Pierre Clement, concessionário da marca em França que, por mera casualidade, tinha um destes cobiçados modelos no stand à espera de um interessado que fosse capaz de despender 5,4 milhões de dólares (cerca de 5 milhões de euros) para adquirir o seu desportivo de sonho. Michael Mente separou-se desta fortuna, mas continua à espera do AMG-One.
Ao perceber que os 5,4 milhões de dólares tinham partido e o One ainda não tinha chegado, Mente recorreu às autoridades, que identificaram o concessionário Clement como o burlão Travian Rogers, um texano com jeito para enganar o próximo. A polícia local descobriu ainda que, antes de Mente, Rogers já tinha “aliviado” 3,19 milhões de dólares de outro cliente muito interessado num Mercedes-AMG One, que também nunca recebeu, como conta o Denver Post.
O Mercedes-AMG One é um hiperdesportivo fabuloso de que foram fabricadas 275 unidades, vendidas cada uma delas por 2,75 milhões de euros, antes de impostos. Ao centro tem instalado um motor 1.6 V6 turbo similar ao que a equipa oficial da Mercedes montou no F1 com que Hamilton venceu a maioria dos seus títulos de campeão do mundo. Só que, para circular na via pública e para que o AMG One possa percorrer 50.000 km antes de ir à revisão, o motor foi “acalmado”, passando a estar limitado a 11.000 rpm, em vez das 14.000 rpm que podia atingir durante as corridas. A pressão do turbo também foi moderada, o que levou a potência a descer dos 700 cv originais para uns mais modestos 574 cv.
Mas tal como acontece na F1, o V6 que passou a consumir gasolina comercial, ao invés da utilizada nos F1, continua a recorrer aos serviços de um motor eléctrico com 122 cv para colocar instantaneamente o turbocompressor a girar às 100.000 rotações sempre que o condutor pressiona o acelerador, evitando assim o turbo lag (atraso na resposta do turbocompressor). Conta ainda com um segundo motor eléctrico com 163 cv, acoplado ao V6 e destinado a elevar a potência do motor a gasolina, além de recarregar a bateria (com 8,4 kWh de capacidade) nas travagens e desacelerações. O contributo final é dado por mais dois motores eléctricos com 163 cv, cada um associado à sua roda dianteira. Em conjunto, o motor a combustão e as quatro unidades eléctricas asseguram 1063 cv, o necessário para o Mercedes-AMG One atingir 352 km/h e passar os 100 km/h em apenas 2,9 segundos, sendo capaz de percorrer 18 km em modo eléctrico.