Já se sabia, através do relato da sua mulher, Rita Loureiro, que Fábio Loureiro, um dos evadidos da prisão de Vale dos Judeus, tinha sido “acorrentado como um animal” na prisão em que está detido em Marrocos. É agora o próprio, por via de um comunicado publicado no Instagram da companheira, a descrever com pormenor o tratamento que tem recebido, e que o leva a anunciar uma greve de fome que começou esta segunda-feira na prisão em que está preso preventivamente, na cidade de Rabat, em Marrocos.

Na nota, citada pela CNN Portugal, o homem conhecido enquanto Fábio “Cigano” diz que “Portugal nada faz” para que possa ser extraditado e sair da situação “desumana” em que se encontra. “Pelo contrário, só me têm vindo a prejudicar com mentiras, falsas promessas e, de alguma forma, no meu entender, castigar-me por ter exposto as fragilidades do sistema prisional português. Só depois de várias insistências por parte das minhas advogadas é que recebi a visita da embaixada portuguesa, que nada faz”, lê-se no comunicado divulgado pela mulher do detido.

“Estive algemado de pés e mãos com uma corrente a unir ambos os membros durante dias. Onde mal me conseguia esticar, onde, em momento algum, me tenham sido retiradas as correntes para dormir, comer ou até fazer necessidades fisiológicas, além do facto de apenas ter vestido um par de boxers”, descreve ainda o homem que fugiu da cadeia de Vale de Judeus, em Alcoentre, no dia 7 de setembro de 2024.

Vale de Judeus. “Esteve acorrentado como um animal”. Mulher de Fábio Loureiro quer acelerar extradição de Marrocos para Portugal

Fábio Loureiro denuncia que esteve “cerca de 30 dias sem [acesso ao] pátio [da prisão]”, “cerca de 20 dias sem quaisquer produtos de higiene”, que foi “impedido de ter uma caneta por quatro meses” e que nunca teve “colchão, almofadas ou lençóis”. Revela ainda que foi impedido de fumar desde o dia da sua detenção em Marrocos.

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O homem de 34 anos foi capturado a 6 de outubro em Tânger, um mês depois de se ter evadido da prisão portuguesa, juntamente com outros quatro reclusos. Sobre a fuga da cadeia de Vale de Judeus, a mulher de Fábio “Cigano” contou ao Correio da Manhã que o companheiro “aproveitou o momento”, já que os fugitivos “El ruso” e Mark Roscaleer tinham um plano de fuga. Defendeu que os restantes prisioneiros — Fábio, Fernando Ferreira e Shergili Farjiani — se limitaram a juntar-se quando perceberam que conseguiam sair.

Depois de chegarem ao exterior da prisão, separaram-se e seguiram caminhos diferentes, mas acabaram todos a ser recapturados.

Vale de Judeus. Fugitivos capturados no estrangeiro continuam sem voltar: o que falta para a extradição?

Inicialmente, foi o próprio Fábio Loureiro, o primeiro dos cinco fugitivos a ser capturado pelas autoridades, em Tânger, Marrocos, a demonstrar vontade em opor-se à extradição para Portugal.

Cumpria uma pena de prisão de 25 anos em Vale de Judeus, pelos crimes de crimes de tráfico de menor quantidade, associação criminosa, extorsão, branqueamento de capitais, injúria, furto qualificado, resistência e coação sobre funcionário e condução sem habilitação legal.