Fernando Medina teme que destas eleições resulte uma solução governativa que continue a “enfermar profundas fragilidades políticas ou, pior, fique nas mãos da extrema-direta”. Na declaração de voto que fez depois da rejeição da moção de confiança do Governo, que ditou a queda do Governo, o socialista considerou que se “devia ter feito mais para evitar” estas legislativas, sem apontar quem, e critica um debate de “insinuações e até calúnias”.

No texto que já entregou no Parlamento, o ex-ministro das Finanças quis marcar uma posição, depois de ter acompanhado a disciplina de voto da bancada do PS contra a moção de confiança do Governo — mostrando que o seu voto seria outro. Ainda que não especifique quem devia ter feito mais na gestão desta situação, Medina considera que esta “crise claramente evitável” “resulta, essencialmente, de decisões do primeiro-ministro”.

No entanto, o socialista que é visto como um adversário interno de Pedro Nuno Santos, coloca questões sobre a forma como o primeiro-ministro está a ser tratado nesta crise — não nomeando um responsável, acaba por incluir o PS nos criticados. Ao mesmo tempo que diz que Montenegro, com “larguíssima experiência política, não ignoraria que uma vez nomeado seria sujeito ao escrutínio mais profundo”, diz que o social-democrata também saberia que teria igualmente de responder “às acusações e ataques mais injustos e indignos“.

Usa a mesma fórmula quando atribui a Luís Montenegro a responsabilidade pelo avanço da moção de confiança, quando já sabia que seria rejeitada. E ainda escreve, em jeito de aviso, que “as eleições não substituem a resposta às questões, das mais legítimas às mais absurdas e mal-intecionadas.”

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No texto a que o Observador teve acesso, o socialista lamenta mais umas eleições antecipadas e considera que a situação de mini-ciclos políticos é “prejudicial para o país” já que “não é possível assegurar uma governação coerente”, nem que resolva “problemas centrais” ou implemente reformas.

Além disso, defende, esta cadência leva a que os governos se concentrem no que “é mais popular, de maior efeito e de menor dificuldade” — sublinhando que foi isso que fez o atual Governo. Mas também acrescenta que esta crise em particular, tendo em conta o contexto internacional, faz de “Portugal um país praticamente sem voz no quadro europeu por vários meses”.

Termina a dizer que “é razoável antever que as relações entre blocos direita/esquerda no parlamento possa não sofrer alteração significativa, o que levará a que a nova solução governativa que emergirá possa continuar a enfermar de profundas fragilidades políticas ou, pior, nas mãos da extrema-direita.”