Pedro Anastácio, vereador socialista da Câmara de Lisboa (CML), acusa a equipa do executivo municipal lisboeta de tentar expulsar os assessores do PS do espaço onde Carlos Moedas iria dar uma conferência de imprensa sobre o abate de jacarandás, na Avenida 5 de Outubro. O vereador sem pelouro refere-se ao caso como “inaceitável” e garante que “não é a primeira vez” que se verifica uma situação parecida.
“Isto não é uma prática. A conferência de imprensa é um ato público e temos todo o direito a estar presentes, queremos ouvir os esclarecimentos”, diz o socialista ao Observador. Anastácio explica que os dois assessores que tem para o auxiliar no cargo de vereador esperavam o início da conferência de imprensa que Moedas tinha marcado para a tarde desta terça-feira, na sala 7 do Edifício Central da CML, no Campo Grande.
Antes da conferência começar e da chegada dos jornalistas, o assessor da Vereadora Joana Almeida, que tem o pelouro do urbanismo, e outro assessor do executivo municipal terão pedido aos assessores de Pedro Anastácio para saírem da sala, impedindo-os de assistir às declarações de Moedas. “Os meus assessores contactaram-me logo para saber o que se estava a passar e eu disse para não saírem dali”, conta.
O Observador tentou entrar em contacto com a equipa de Carlos Moedas, mas não obteve resposta até à publicação deste artigo.
[Já saiu o segundo episódio de “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo Podcast Plus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio]
De acordo com Pedro Anastácio, os seus assessores acabaram por poder assistir à conferência de imprensa, mas garante que apenas “ficaram por resistência dos próprios”. Anastácio diz que este não é um caso isolado e que já se tinha verificado outra tentativa de bloquear o acesso das “forças políticas que escrutinam diariamente o executivo” às conferências de imprensa de Moedas.
No Natal passado, durante a greve dos trabalhadores do lixo na capital, uma outra assessora socialista terá sido igualmente convidada a sair do espaço onde seriam feitas as declarações públicas do Presidente da Câmara. Também dessa vez a assessora acabou permanecer no local “por resistência própria e orientação” dos vereadores socialistas, sendo que, no processo, terá sido ofendida por um membro da equipa do líder da coligação Novos Tempos.
Anastácio vinca que o acesso a estes momentos é aberto e que “as forças políticas, tal como qualquer outro jornalista ou cidadão tem direito” a assistir a este tipo de declarações. “Há aqui uma tentativa muito clara de criar um clima de secretismo, que não nos parece uma boa prática”, conclui.
Câmara de Lisboa abate jacarandás para construir parque de estacionamento subterrâneo