Um sismo de magnitude 5,1 na escala de Richter atingiu na manhã deste domingo Myanmar, segundo o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS). A réplica do sismo de sexta-feira ocorreu às 15h38 locais (9h08 em Portugal continental). E os especialistas admitem novas réplicas deste evento que terá libertado a energia equivalente a 334 bombas atómicas.
Sismo de Myanmar libertou energia equivalente a 334 bombas atómicas
O USGS refere que o epicentro deste abalo foi a cerca de 29 quilómetros a noroeste Mandalay, a segunda maior cidade de Myanmar, que tem uma população de cerca de 1,5 milhões de pessoas e foi fortemente atingida pelo sismo de sexta-feira. O hipocentro foi a dez quilómetros de profundidade e destruiu 70% de Sagaing, uma das duas cidades mais próximas do epicentro, segundo a Cruz Vermelha birmanesa.
“Os danos são verdadeiramente enormes”, disse à EFE, por telefone, a diretora de comunicação para a Ásia-Pacífico da Federação Internacional, Afrhill Rances, indicando ter recebido as dados sobre a destruição dos seus parceiros da Cruz Vermelha de Myanmar.
A réplica deste domingo surge na sequência do terramoto de magnitude 7,7 na escala de Richter que, na sexta-feira, foi sentido em Myanmar, na Tailândia e em algumas províncias chinesas. O último balanço de vítimas divulgado este domingo pela junta militar, que governa o país desde o golpe de 2021, refere que há cerca de 1.700 mortos, mais de 3.400 feridos e 300 desaparecidos.
O canal de televisão oficial MRTV, que pertence à junta militar de Myanmar noticiou que bombeiros, técnicos e socorristas da Rússia, China, Índia, Singapura, Tailândia e Hong Kong estão já a trabalhar no salvamento e resgate no país. A junta, que declarou o estado de emergência nas seis regiões mais devastadas pelo sismo, mostrou este domingo imagens da chegada e do envio destas equipas para locais mais devastados.
A junta militar fez um apelo invulgar por ajuda internacional na sexta-feira, mas ainda não é claro como planeia aplicar os fundos em territórios afetados pelo sismo que não estão sob o seu controlo. Grupos da oposição relataram que os militares bombardearam no sábado a região de Sagaing, epicentro do sismo, e Naung Cho, em Shan.
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) apelou hoje à angariação urgente de mais de 100 milhões de dólares (92,4 milhões de euros) para ajudar as vítimas do sismo em Myanmar. “Para reforçar o nosso apoio, a FICV está a lançar um apelo de emergência para angariar 100 milhões de francos suíços (115 milhões de dólares) para ajudar 100.000 pessoas (20.000 agregados familiares)”, explicou a maior rede humanitária do mundo.
Com o aumento das temperaturas e a chegada da estação das monções dentro de algumas semanas, as comunidades afetadas devem ser estabilizadas com urgência “antes que surjam crises de emergência secundárias”, insistiu a FICV. “Não se trata apenas de uma catástrofe, mas de uma crise humanitária complexa, que se vem juntar às vulnerabilidades existentes”, afirmou Alexander Matheou, diretor regional da organização para a Ásia-Pacífico.
Tailândia regista 18 mortes, mas ainda há buscas no arranha-céus que ruiu
Pelo menos 18 pessoas morreram, outras 33 ficaram feridas e 78 estão desaparecidas em Banguecoque após o impacto do terramoto, segundo a última contagem divulgada hoje pelas autoridades locais.
A maioria das mortes (11) ocorreu após o desabamento de um edifício em construção perto do mercado turístico de Chatuchak, na capital, enquanto as outras sete foram registadas noutros pontos da cidade, segundo o balanço do Governo de Banguecoque, divulgado na rede social Facebook. As autoridades recuperaram hoje mais um corpo da montanha de escombros deixada pelo edifício que ruiu.
Na capital da Tailândia prosseguem as operações de resgate junto ao edifício que colapsou, com a utilização de máquinas raio-X para tentar detetar sinais de vida. “Os 30 andares do prédio empilhados são realmente difíceis de atravessar”, explicou Thawida Kamolvej, vice-governadora da capital tailandesa à BBC News. Ainda há 79 desaparecidos, revelou, acrescentando que têm confiança nas equipas de socorristas. “Vamos continuar a trabalhar 24 horas por dia, temos mais pessoas a chegar.”.
O governador de Banguecoque, Chadchart Sittipunt, disse hoje que a prioridade é a operação de salvamento em Chatuchak, 48 horas após o terramoto, afirmando que há “sinais” de sobreviventes em algumas zonas do desmoronamento.