A depressão Martinho, que atingiu Portugal continental há cerca de duas semanas, provocou a queda de cerca de 100 mil árvores no parque da Serra de Sintra. O número corresponde às quedas ocorridas nas áreas sob gestão da empresa Parques de Sintra.

Fonte oficial da empresa indica ao Observador que este fenómeno afetou 278 hectares numa área que ocupa cerca de mil hectares. O levantamento, concluído esta semana, revelou “danos muito graves” em algumas áreas. A empresa descreve os “efeitos devastadores” da combinação de elevados níveis de chuva com “ventos extremamente fortes”, cujo efeito foi ainda mais potenciado pela “invulgar direção do vento”.

Depressão Martinho na Serra de Sintra: “Cerca de 278 hectares foram severamente afetados”

Qualificando a depressão Martinho de “fenómeno climático extremo”, a Parques de Sintra diz que se tratou de um “fenómeno inédito na Serra de Sintra devido à combinação excecional de diversos fatores meteorológicos”. Nas semanas que antecederam a chegada da depressão registaram-se elevados níveis de precipitação que resultaram numa saturação do solo pela água. Na noite de 19 para 20 de março, houve mais chuva intensa acompanhada de rajadas de vento que chegaram aos 169 quilómetros por hora no Cabo da Roca, ao lado da serra de Sintra.

Segundo a explicação avançada ao Observador, a invulgar direção do vento, vindo sobretudo de sul “contribuiu decisivamente para a magnitude dos estragos”, bem como a morfologia da própria serra. Foi sobretudo a vertente sul a ser afetada. Entre os fatores que se combinaram para estes efeitos estão os elevados níveis de precipitação sentidos desde fevereiro, o que conduziu a uma saturação de água nos solos e “árvores com raízes pouco profundas, associadas à condição do vento, levaram ao derrube de cerca de 100 mil árvores de diversas espécies na Serra de Sintra”. Isto não obstante, diz a Parques de Sintra, terem sido tomadas medidas preventivas antes da chegada da depressão.

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O mapeamento e levantamento dos estragos foi feito com recurso a drones e inspeções no terreno que permitiram identificar cerca de 200 hectares de floresta “severamente afetados, dos quais 89 hectares registam danos muito graves, totalizando cerca de 93 mil árvores derrubadas“. Para além destas, há a queda adicional de cinco mil árvores nas matas e tapadas em 80 hectares, com destaque para as de Monserrate e D. Fernando II. Os acessos ao perímetro da Serra de Sintra estão fechados desde quinta-feira, dia 20 de março, tendo sido reabertos os acessos aos monumentos, com a exceção do Convento dos Capuchos.

A Parques de Sintra — Monte da Lua gere a área de paisagem protegida que está classificada pela UNESCO como património da humanidade.

A empresa adianta que iniciou logo as operações de limpeza, dando urgência à remoção de árvores derrubadas, estabilização de muros, taludes e estradas que ficaram “seriamente comprometidas”, tendo sido feita uma avaliação dos riscos que estes danos representam.

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Intervenções urgentes em curso. Intervenções na floresta e património custam 3 milhões

Foram identificados dois lotes como prioritários, que ocupam uma área de 89 hectares, os quais estão a ser “alvo de intervenções urgentes” para remover árvores caídas e restabelecer condições de segurança até ao início da época de incêndios daqui a três meses. Nesta fase estão em causa investimentos iniciais de 300 mil euros, num processo que terá de ser interrompido durante a época de incêndios.

Os trabalhos serão retomados em setembro, tendo já sido identificada necessidade de intervir em 113 hectares, num investimento total de 1,2 milhões de euros que deverá arrancar na segunda metade do ano e durar pelo menos dois anos.

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Parques de Sintra diz que intervenção em mais de 100 hectares vai demorar até dois anos

Foi ainda realizada uma avaliação de risco e necessidade de investimento no património edificado que foi danificado — muros, taludes, edifícios. Foram identificadas 12 intervenções urgentes, algumas já a em curso, e com um custo estimado de 1,5 milhões de euros.

Em paralelo, está a ser trabalhado um plano detalhado “para mitigar efeitos erosivos” do solo e promover a “rearborização das áreas afetadas”. A prioridade deste plano vai para a plantação de espécies autóctones e estratégias para restabelecer habitats e assegurar o equilíbrio hídrico, com o objetivo de tornar a floresta mais resistente a fenómenos futuros. Este plano detalhado ainda não tem um custo previsto, acrescenta a empresa.

O capital da Parques de Sintra é detido por várias entidades do Estado, incluindo o ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e Florestas), a Câmara de Sintra e o Turismo de Portugal.