Teve uma intervenção mais dura à margem da cerimónia do 111.º aniversário da Federação Portuguesa de Futebol, não tanto pela polémica que estalou entre Fernando Gomes e Pedro Proença mas pelo ambiente que se vive no futebol nacional também à luz das futuras eleições na Liga Portugal, voltou agora à carga sobre os mesmos temas num extenso artigo de opinião publicado na revista Dragões de abril. Entre as considerações sobre os azuis e brancos, com destaque para o sucesso do empréstimo obrigacionista lançado e para a vitória na Taça de Portugal de basquetebol, André Villas-Boas voltou a falar da “paz podre” que impera.

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“Março foi mais um mês repleto de acontecimentos relevantes. Avançámos com serenidade no rumo que pretendemos para o nosso futuro, com o envolvimento de todos, essencial para sermos fiéis à estratégia traçada. Um clube que investe sustentadamente em si próprio. É da mais elementar necessidade destacar o sucesso que obtivemos com o empréstimo obrigacionista que lançámos. Inicialmente pensado para um valor de subscrições até 30 milhões de euros, atingiu quase 60 milhões de euros. Com uma gestão financeira rigorosa e um controlo de gestão efetivo, reconquistámos a confiança do mercado. No entanto, o que mais satisfação nos trouxe foi o facto de muitos portistas particulares terem acorrido à subscrição. Trata-se de um sinal claro do envolvimento dos sócios e simpatizantes na construção do futuro do FC Porto. Estamos fortes e colocamos em primeiro lugar o que para nós é sagrado: continuar a ser um clube de topo, propriedade dos seus sócios e não cair nas mãos de terceiros”, começou por referir mais num âmbito interno.

“Outra importante manifestação da nossa vitalidade vem do nosso basquetebol. Foi um mês cheio, que começou com a renovação contratual do treinador Fernando Sá. Também Miguel Queiroz festejou connosco a bonita marca dos 500 jogos de Dragão ao peito, devolvendo todo o nosso carinho ao revelar-se o jogador mais valioso (MVP) da final da Taça de Portugal que vencemos, ‘sem espinhas’, com todo o brilhantismo, contra o nosso rival. O Miguel não nasceu portista, aprendeu a ser portista, porque amar este clube, unir a voz à gente autêntica que enche as bancadas, ser trabalhador, exigente consigo próprio, batalhador, viver para o grupo e estar envolvido com o clube com intensidade e verticalidade são ingredientes que marcam. Hoje, o Miguel é um exemplo”, apontou, entre elogios também à entrevista a Rodrigo Mora.

“No entanto, há ainda muitos desafios pela frente”, corta depois o líder dos dragões, antes de falar do quão importante seria ter um representante no Comité Executivo da UEFA e das próximas eleições da Liga.

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“Não poderia terminar sem me referir aos acontecimentos recentes e lamentáveis, que vieram colocar em destaque a paz podre em que o futebol português vive há vários anos. Com um elenco federativo eleito há cerca de um mês, um Comité Olímpico ainda mais recente e em pleno processo eleitoral para a Liga, com a aproximação de exigentes desígnios como a candidatura à receção do Europeu de futebol feminino no nosso país, em 2029, e a co-organização do Mundial em 2030, é fundamental agir com bom senso e responsabilidade para não manchar ainda mais a reputação do nosso país nas mais altas instâncias do futebol europeu e mundial. Teria sido muito importante manter um representante no Comité Executivo da UEFA. Por conseguinte, é fundamental congregar esforços e encurtar distâncias entre instituições para recuperar a nossa posição no próximo mandato”, começou por balizar Villas-Boas.

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“É por isso que todos temos de nos preocupar com as eleições da Liga. Deveríamos estar a discutir propostas, equipas, planeamento, estratégia, valorização e crescimento, e deveríamos fazer perguntas e obter respostas dos candidatos na cimeira de Presidentes da Liga. No entanto, o que está a acontecer é o oposto. Há conluio, facilitismo, favoritismo e o sonho de um El Dorado em direitos audiovisuais que jamais chegará, como facilmente se pode perceber pelas tendências recentes noutros países europeus e com ligas melhor classificadas”, critica o presidente dos azuis e brancos, antes de deixar algumas questões.

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“A quem interessa que continuemos a viver nesta paz podre por mais tempo? A quem interessa, como já referi publicamente, um certo desalinhamento entre os três grandes e continuarmos a adiar discussões sobre a centralização dos direitos televisivos, o VAR e outros temas que continuam em atraso? A quem interessará dar um passo atrás no caminho para a dignidade, transparência e ética do futebol português? A quem interessa esta vacuidade? Nós sabemos a resposta. Os nossos rivais e outros situacionistas também sabem disso, mas não lhes interessa. O fado do futebol português não é ser pequeno; temos de dar passos em frente. Para esse propósito maior, só para esse, contem com o FC Porto”, conclui.

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