O julgamento do antigo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, por corrupção, chegou ao fim esta terça-feira, depois de 38 audiências que decorreram durante três meses no Tribunal de Paris. Ficou marcado, sobretudo, pelas acusações de que fez um acordo secreto com o líder líbio Moamer Kadhafi para obter milhões em fundos de campanha política ilícitos, em troca de favores diplomáticos e da promessa de favorecer a imagem da Líbia perante o Ocidente.

Apesar de o julgamento terminar, o veredito só será conhecido a 25 de setembro — o processo é longo e composto por 70 volumes que os juízes prometem analisar de perto. Nessa data será revelado se Sarkozy é considerado culpado pela justiça francesa e se vai cumprir uma pena de prisão de sete anos, pedida pela procuradoria francesa. Enfrenta ainda o pagamento de uma multa de 300.000 euros e a impossibilidade de se candidatar a um cargo público durante cinco anos — sentença que a Radio France Internationale diz não ter precedentes para um antigo chefe de Estado.

Além de Sarkozy — que cumpre pena de prisão efetiva com pulseira eletrónica pelos crimes de corrupção noutro processo —  há outros 11 arguidos presos preventivamente. Todos pedem absolvição por falta de provas. Mas como o Le Monde recorda, em casos de corrupção, raramente há provas formais ou evidências escritas. Além disso, os circuitos secretos de financiamento têm-se vindo a tornar cada vez mais sofisticados ao longo dos anos.

“Há mais do que provas documentais “, insistiu, em contraponto, Nathalie Gavarino, por parte da acusação, numa audiência a 5 de fevereiro. Até ao último minuto do julgamento, Nicolas Sarkozy repetiu que não fez nada, não viu nada, não sabia de nada, e todos os advogados de defesa repetiram até a exaustão que o financiamento líbio foi apenas uma “construção intelectual” , uma hipótese, certamente “plausível”, mas que não se condena alguém com base numa hipótese.

O Ministério Público francês tinha afirmado em tribunal, no final de março, que o antigo Presidente “foi o verdadeiro decisor e patrocinador” de um “pacto de corrupção inconcebível, insólito e indecente”, celebrado antes da sua eleição.

Procuradoria diz que ex-presidente francês Sarkozy comandou pacto de corrupção

O alegado pacto com o regime do então líder líbio Muhammar Khadaffi em 2005, segundo a acusação francesa, foi “celebrado com um regime sanguinário” e tinha “o objetivo de apoiar financeiramente a campanha” de Nicolas Sarkozy, eleito Presidente de França em 2007.

Alega-se que Sarkozy enviou dois dos seus assessores mais próximos para se reunirem com o cunhado de Kadhafi, que era nessa altura chefe dos serviços secretos. “É a prova do seu envolvimento total como cérebro e é por isso que nunca encontraremos qualquer vestígio escrito de qualquer instrução”, disse Quentin Dandoy, um dos procuradores do caso. A justiça francesa pede que estes três homens sejam condenados por suborno e conspiração criminosa.