Uma, duas, três vezes. A polémica tomou conta da terceira etapa da Volta ao País Basco, que só teve vencedor oficial mais de duas horas depois de Alex Aranburu (Cofidis) cortar a linha de chegada em Beasain. Após três tentativas, a organização deu oficialmente a vitória ao basco que, pouco tempo antes, tinha sido relegado por ter “saído” do percurso na aproximação ao final. Contudo, essa saída derivou-se a um erro da organização, que empregou na estrada indicações contrárias àquelas indicada pelo livro de prova. Desta forma, o campeão espanhol de fundo triunfou pela primeira vez em 2025, numa etapa bastante ofensiva da UAE Team Emirates-XRG, com João Almeida a atacar nos últimos cinco quilómetros, mas a deixar Aranburu isolado depois de cometer um erro numa rotunda.

O ioiô partiu no fim e a vitória chegou com polémica: depois de erro de João Almeida, Aranburu venceu no País Basco (depois de ser relegado)

“Foi um dia louco, estava a sentir-me bem. Cometi um pequeno erro numa viragem, mas é o que é. Queríamos um dia difícil. Toda a equipa esteve muito bem, especialmente no final, ao diminuir a diferença para o grupo do líder. Fizemos um bom trabalho e podemos orgulhar-nos de nós mesmos”, assumiu o português em declarações ao Eurosport.

Esta quinta-feira foi altura de os ciclistas rumarem de Beasain em direção a Markina-Xemein, numa tirada de 169,6 quilómetros, com sete contagens de montanha e pendentes novamente perto dos 20%. Contudo, o verdadeiro teste de fogo estava guardado para os últimos 20 quilómetros, na subida de Izua. Com o topo a 11 quilómetros da chegada e 3,5 quilómetros de extensão com uma inclinação média de 10,6%, esta contagem de montanha de primeira categoria iria ser determinante nas contas finais da etapa, seguindo-se, depois, uma não menos importante fase de descida.

Sem Mathieu Burgaudeau (TotalEnergies), Robbe Dhondt (Picnic PostNL) e Anders Foldager (Jayco AlUla) à partida, os ataques começaram a surgir ainda nos primeiros cinco quilómetros, mas as equipas da geral endureceram o ritmo, impedindo a formação de um grupo na frente da corrida. Ainda na primeira fase da prova, Marc Soler (Emirates), Andrea Bagioli e Quinn Simmons (Lidl-Trek), Léo Bisiaux (Decathlon AG2R La Mondiale), Finn Fisher-Black (Red Bull-Bora-hansgrohe), Ben Healy e Alex Baudin (EF Education-EasyPost), Mauro Schmid (Jayco) e Sepp Kuss (Visma-Lease a Bike) conseguiram escapar, levando a Bahrain-Victorious a assumir a rédea da corrida.

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Com um sobe e desce constante, o pelotão não acalmou e os ataques continuaram a acontecer, com Txomin Juaristi (Euskaltel-Euskadi) e Ander Okamika (Burgos Burpellet BH) a chegarem à dianteira. A diferença entre grupos desceu paulatinamente, até os homens da fuga serem alcançados a 15 quilómetros da chegada, no início da subida final. Na fase inicial, Santiago Buitrago (Bahrain) aproveitou para acelerar, obrigando Florian Lipowitz (Red Bull) a responder. Ligeiramente mais atrás, João Almeida surgia sem qualquer companheiro de equipas e, à imagem da véspera, em grande forma. Com o português a impor o ritmo na frente, Maximilian Schachmann (Soudal Quick-Step) descolou e mais ninguém o conseguiu acompanhar.

O espaço foi abrindo até ao alto de Izua, onde passou com 26 segundos de vantagem para os perseguidores. O ciclista de A dos Francos mostrou uma capacidade excecional na descida, pouco vista no passado, conseguiu manter a diferença acima dos 20 segundos e garantiu a sua segunda vitória na temporada em Markina-Xemein, a 15.ª enquanto ciclista profissional. Assim, João Almeida tornou-se no segundo português a vencer uma etapa da Volta ao País Basco, 50 anos depois de Fernando Ferreira. O companheiro Isaac del Toro chegou na segunda posição, com o antigo camisola amarela a completar o pódio, a 28 segundos de Almeida.

Na nova geral, o português de 26 anos ocupa agora o primeiro lugar e perfila-se como o principal candidato a vencer a Volta ao País Basco. João Almeida tem 30 segundos de vantagem para Max Schachmann e menos 38 que Florian Lipowitz. Ilan van Wilder (Soudal) manteve o quarto lugar, a 49 segundos do Bota Lume, e Mattias Skjelmose (Lidl) completa o top 5, a 50.