Os primeiros dois dias no País Basco não proporcionaram grandes novidades. Com um quarto da prova basca para trás, João Almeida (UAE Team Emirates-XRG) continuava na segunda posição, depois de um contrarrelógio de exceção em que ganhou tempo a toda a concorrência, à exceção de Maximilian Schachmann (Soudal Quick-Step). E era precisamente o alemão, agora ao serviço da turma belga, que teimava ser a pedra no sapato do português. Nos últimos seis meses, Almeida e Schachmann estiveram frente a frente em três contrarrelógios, que totalizam 82 quilómetros. Em todos eles o alemão levou a melhor e o português terminou na posição imediatamente a seguir… a menos de um segundo.
A etapa desta terça-feira acabou por ser mais acidentada do que se esperava e provocou o abandono de Victor Campenaerts, corredor importante dentro da equipa da Visma-Lease a Bike. No final, Caleb Ewan (Ineos Grenadiers) levou a melhor no sprint massivo de Lodosa, Iúri Leitão (Caja Rural-Seguros RGA) chegou na quinta posição e Schachmann segurou a amarela. Ainda assim, essa acabou por ser a última mostra do sprinter australiano nas estradas bascas, já que, durante a manhã desta quarta-feira, a Ineos comunicou o seu abandono, numa decisão que já estava preparada com base no planeamento da sua temporada e que não visa qualquer questão de ordem física.
Sem Ewan, a prova chegou à terceira etapa, que contou com um percurso ondulado, bem ao estilo do País Basco e a fazer lembrar a mítica clássica Miguel Indurain. Foram 156,6 os quilómetros que ligaram Zarautz a Beasain e que contaram com sete subidas categorizadas, com mais de 3.200 metros de subida acumulada. Previa-se que a discussão fica-se guardada para o Muro de Lazkaomendi, que apareceu a seis quilómetros da meta e conta com pendentes de até 18%. Antes, havia a incursão a Gainza, com 2,2 quilómetros de extensão e médias de 12% que, nalgumas fases, ultrapassam os 20% e podiam permitir uma primeira seleção por estar a 36 quilómetros da chegada.
Como seria de esperar, o ritmo elevado foi a imagem de marca desta tirada desde o quilómetro zero, acabando por dificultar a criação de uma fuga. Bruno Armiral (Decathlon AG2R La Mondiale) e Mattéo Vercher (TotalEnergies) foram os primeiros a escapar, mas o segundo viria a ficar para trás depois de um grande grupo ter escapado ao pelotão, obrigando a Soudal a trabalhar. A iniciativa terminou a 108 quilómetros do fim e o francês ficou isolado na dianteira. Pouco depois, a equipa do camisola amarela continuou com dificuldades em controlar a corrida e Sepp Kuss (Visma), Isaac del Toro (Emirates) e Aleksandr Vlasov (Red Bull-Bora-hansgrohe) aproveitaram para atacar.
???? EGUN ON ZARAUTZ‼️
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A iniciativa do trio não durou muito tempo e, a 72 quilómetros da meta, o grupo principal voltou a alcançar a dianteira da corrida. Nessa fase, Brandon McNulty (Emirates) endureceu a corrida e Florian Lipowitz (Red Bull) e Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious) tentaram atacar, sem sucesso. Para trás começaram a ficar nomes como Pello Bilbao (Bahrain), Ion Izagirre (Cofidis), Marc Hirschi (Tudor) e Ben Healy (EF Education-EasyPost). Em Mandubia, o norte-americano da Emirates conseguiu mesmo escapar, seguindo com a companhia de Harold Tejada (XDS Astana). A iniciativa acabou na descida, com Nelson Oliveira e Enric Mas (Movistar), João Almeida e Mattias Skjelmose (Lidl-Trek) a chegarem à frente, seguindo-se depois o reagrupamento do grupo principal.
Os ataques continuaram e, antes da subida de Gainza, Marc Soler (Emirates), Clément Berthet (Decathlon) e Rudy Molard (Groupama-FDJ) escaparam ao grupo e rapidamente alcançaram uma vantagem de um minuto. Na penúltima montanha da jornada, Berthet ficou sozinho na frente e Schachmann chegou a ficar para trás, mas acabou por reentrar no grupo principal na fase de transição para Lazkaomendi, atacando, depois, a 27 quilómetros da meta, à procura de bonificar no sprint intermédio, sem sucesso, ao contrário de Lipowitz que se colocou ao alemão e ao português no topo. Essa movimentação partiu o grupo principal e deixou Almeida para trás. Na derradeira, a desvantagem do ciclista de A dos Francos era de cerca de 10 segundos.
Cofidis' Alex Aranburu cruises over the line after a late move to take the win in Stage 3 of Itzulia Basque Country! ???? pic.twitter.com/VAFGfkbWCI
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Tejada tratou de abrir as hostilidades, seguindo-se a resposta imediata de Schachmann e Lipowitz. O trio alcançou Berthet, antes de João acelerar e reentrar no grupo principal. A 500 metros do alto, Alex Aranburu (Cofidis) atacou e reduziu o grupo para os dez elementos. Na aproximação ao final, foi a vez de João Almeida atacar, contando com a companhia de Aranburu a dois quilómetros da meta. Contudo, um erro de trajetória do português, que teve de ir por cima do passeio numa rotunda e, mais à frente, fez outra rotunda pela trajetória mais comprida, o que acabou por isolar o campeão espanhol de fundo na dianteira. A correr em casa, o basco da Cofidis não desperdiçou a vantagem e somou a primeira vitória da temporada. Depois de os comissários consultarem as imagens, perceberam que Aranburu seguira, afinal, a trajetória que pertencia à saída dos automóveis e foi relegado. Ainda assim, o livro de prova informa que a trajetória a seguir era mesmo pela direita, pelo que este episódio não ficou por aqui.
???? Alex Aranburu kanporatua izan da ????
Romain Gregoire da 3. etapako garailea ✅
???? Alex Aranburu ha sido descalificado por los jueces ????
Romain Gregoire es el ganador de la tercera etapa de la#itzulia2025
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— Itzulia Basque Country (@ehitzulia) April 9, 2025
Aranburu took a shorter route, but a Basque rider will never be relegated in Itzulia I guess pic.twitter.com/fetJTiDy7j
— Eritropoetina ????♂️ (@Eritropoetina) April 9, 2025
Según el libro de ruta, Aranburu ha ido por el lugar correcto. No ha acortado nada. pic.twitter.com/dRzKsJbifb
— jon iraurgi asategi (@JAsategi) April 9, 2025
Mais de duas horas depois de a etapa ter terminado, a organização voltou a emitir um comunicado, anunciando a repescagem de Alex Aranburu que, assim, foi coroado como o vencedor da etapa. Segundo a organização, o basco seguiu mesmo a rota correta, ao contrário do que o próprio percurso anunciava. Para além disso, considera-se que esse incidente não teve impacto no desfecho, já que a sua vantagem aumentou até ao fim. Assim, Romain Grégoire (Groupama-FDJ) foi segundo e Schachmann terceiro, resultado que lhe permitiu cimentar o primeiro lugar, agora com quatro segundos de vantagem para Florian Lipowitz e João Almeida. O português caiu para terceiro devido às bonificações.
Artigo corrigido às 19h27, depois de a organização ter anunciado a vitória de Alex Aranburu
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